É muito difícil escrever sobre esportes, principalmente futebol, no dia seguinte a jogos decisivos sem ter como falar de seus resultados. A esta hora, torcedores de Grêmio, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Internacional estarão festejando ou lamentando os destinos de seus times na Copa do Brasil e o colunista só poderá tratar do tema amanhã. Felizmente as notícias não param e sempre há algo de interessante para comentar. Vejam, por exemplo, o que aconteceu nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Numa só canetada a Fifa colocou o Chile no quinto lugar (ou seja, mandou a seleção campeã da Copa América para a repescagem – nem isso estava conseguindo, é bom lembrar) e tirou a Argentina, de Messi, do sonho de disputar o Mundial. Isso mesmo: se terminassem hoje as eliminatórias do continente, a Argentina, sexta colocada, não teria sequer o direito de disputar a tal repescagem.
E sabem por quê? Tudo por causa da utilização de um jogador, paraguaio, naturalizado boliviano, pela seleção da Bolívia. A Fifa alega que o zagueiro Nelson Cabrera não morava há cinco anos na Bolívia, logo, não poderia atuar pela seleção nacional. Em sua defesa, os bolivianos dizem que Peru e Chile (os favorecidos com a perda de pontos da Bolívia) não cumpriram os prazos para entrar com o pedido de anulação (coisa de uma hora após o jogo, um dia para comprovar o que diz). Para facilitar a história, vou resumir: a Bolívia vencera o Peru e empatara com o Chile. Com a punição, foi considerada derrotada por ambos, pelo placar de 3 a 0. Com isso, o Chile sobe, a Argentina (que não tem nada com a história), desce. O mais interessante é verificar a diversidade de regulamentos pelo futebol mundial: no Campeonato Brasileiro, o time infrator perderia os pontos conquistados na partida e mais três, por jogo, como “multa”. Para a Fifa, ignora-se o resultado de campo e fim de papo.
Vidão
Ao contrário do pobre jornalista que sofre, dia após dia para exercer seu ofício, e sem qualquer menosprezo, é muito fácil ser humorista no Brasil. Só a colaboração dos políticos seria suficiente para assegurar a correção da afirmativa do colunista. Mas há mais. Vejam, por exemplo, a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) sobre o Fla-Flu de 13 de outubro (aquele mesmo, ainda não acabou). Os doutos de Tribunal decidiram (1) punir o árbitro por 60 dias – sua defesa já está recorrendo – e mais R$ 1 mil; (2) o Fluminense também em R$ 1 mil, por objetos lançados no gramado; e (3) absolver o Flamengo.
Vamos pelo final: correto absolver o Flamengo, ou melhor… O Fluminense foi punido por uma garrafa arremessada no gramado durante o intervalo quando um torcedor rubro-negro, participante de uma daquelas baboseiras inventadas pelo marketing foi bater um pênalti (em frente a galera tricolor), marcou o gol e saiu festejando em direção à torcida do Fluminense mandando fazer silêncio. Apanhou de um adversário dentro de campo e, claro, foi alvo da galera. Se o Fluminense foi punido por isso, o Flamengo também deveria, afinal de contas, foi o seu torcedor quem começou tudo.
E o que dizer sobre o árbitro? Sandro Meira Ricci (é a primeira vez que escrevo seu nome desde a confusão) protagonizou uma das maiores lambanças do futebol brasileiro e vai ser punido com R$ 1 mil? Os 60 dias (máximos) sem atuar ele tira de letra. Já se passaram praticamente 30 e, no período, ele ainda foi faturar uma graninha extra (quem sabe para pagar a multa) apitando na Índia. E, com o recurso de seus advogados (e por ser primário…) é bem provável que seja absolvido. É ou não é moleza fazer humor neste paraíso tupiniquim?
É com ela
Quero deixar bem claro que não tenho nada contra a competência de Emily Lima, anunciada com pompa e circunstância, pela CBF, como a nova treinadora da seleção feminina do Brasil, mas é no mínimo falta de sensibilidade fazer o anúncio no mesmo dia em que a Fifa indicou Vadão, ex-treinador, para concorrer ao título de melhor do ano, numa lista de dez nomes que inclui, entre outras, Silvia Neid, treinadora da seleção alemã; e Pia Sundhage, da seleção sueca. É claro que Vadão não irá ganhar. A falta de medalha da seleção brasileira pesará contra ele, mas bem que a CBF poderia esperar um diazinho a mais, ao menos, para indicar Emily para o cargo. Sempre lembrando que ela, Emily, é a primeira mulher a assumir tal posto. Boa sorte para ela.
Sem sentido
Já que falamos em falta de sensibilidade… Que vacilo deu a Confederação Brasileira de Vôlei em marcar, logo para a primeira rodada da Superliga feminina, e numa terça-feira, o jogo entre Rexona e Fluminense. Há anos a Cidade Maravilhosa não tinha dois times na primeira divisão do vôlei nacional e a entidade decide esvaziar a partida marcando como abertura da competição na cidade. Para piorar… Como foi fraca a arbitragem. Vários erros e, por pouco, não tivemos a repetição do caso Fla-Flu do futebol (o mesmo que está citado aí em cima). Num lance em que a bola visivelmente tocou na jogadora Camila Adão, do Rexona, o árbitro deu bola para o time de Bernardinho. Até a comissão técnica do Rexona reconheceu – basta fazer a leitura labial, se é que isso vale alguma coisa.