Enquanto Brasília se prepara para festejar seus 50 anos, a capital australiana, Canberra, também planeja a celebração do seu centenário. Semelhanças urbanas vão além dos traçados dessas duas jovens cidades, que enfrentam desafios idênticos na condição de capitais de seus países.
Um dos principais responsáveis pelas comemorações do centenário de Canberra desembarca na próxima semana em Brasília para uma intensa jornada de debates e troca de experiências entre os dois países. Esta será a segunda visita do historiador australiano David Headon a Brasília, cidade eleita como uma das fontes de estudo do pesquisador. Ele veio participar da Semana de Extensão da Universidade de Brasília (UnB) e terá encontros com integrantes dos comitês do cinquentenário da capital brasileira ligados ao GDF e à Câmara dos Deputados. O centenário de Camberra será em 2013.
Headon pretende trazer a Brasília algumas ações urbanas desenvolvidas na Austrália. Segundo ele, o aniversário de 50 anos da capital brasileira é uma oportunidade única para projetar positivamente a cidade para o mundo. “Tanto quanto Canberra, Brasília encontra uma forte resistência em ser considerada como cidade capital. Pela mesma razão que Sydney é mais conhecida que Canberra, o eixo Rio-São Paulo continua até hoje representando um pólo de atração cultural e econômico mais significativo que Brasília. E o nosso desafio está em mudar esse cenário”, explica.
Outros pontos comuns entre as duas capitais, segundo Headon , são o planejamento urbano das duas cidades, suas similaridades de desenho, o objetivo de sua criação como cidades-sede de governos e a candidatura da capital australiana como Patrimônio Histórico da Humanidade, título concedido a Brasília em 1989. “A criação de uma cidade acarreta anos de transformação e de costumes culturais nas pessoas”, observa. “Quero levar Brasília para Canberra e trazer a Austrália para o Brasil por meio da troca de experiências úteis e capazes de contribuir com as duas capitais, a exemplo de um tratado de cooperação técnica entre os países”, antecipa.
Formado em literatura pela Universidade de Sydney e PhD em estudos transculturais na Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, Headon diz que o caminho para o fortalecimento de Brasília e Canberra está, entre outras ações, na capacidade de enaltecer seus monumentos, os eventos nacionais, o turismo, as atividades culturais locais e a elaboração de projetos para o futuro de forma estratégica.