Brasília

HB oferece tratamento para transtornos alimentares

A partir dessa semana, novo formato de atendimento será oferecido à toda a comunidade

Mayra Dias
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Desnutrição, anemia, diabetes, alterações hormonais e gastrointestinais. Esses são apenas alguns, dos vários efeitos advindos de uma má relação com comida e com o corpo, citados pela nutricionista da Clínica Renoir, Viviane de Castro. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os distúrbios alimentares, hoje, atingem 4,7% dos brasileiros, e foi pensando nisso que o Hospital de Base do DF(HB), anunciou que contemplará um novo formato de atendimento para os pacientes que sofrem desses problemas.

Para ter êxito e superar esse tipo de doença, é necessário o acompanhamento especializado das três áreas

Renata Rainha, responsável pelo programa no hospital de Base

Doenças como anorexia, bulimia e compulsão alimentar são tratadas por uma equipe multidisciplinar do HB, que, hoje, atende cerca de 30 pacientes por mês no Ambulatório Multidisciplinar para Transtornos Alimentares. A partir da última semana, no entanto, esse número subirá para 65. “São problemas muito comuns de surgirem ainda na adolescência, e, infelizmente, é algo comum”, alega Andreza Sorrentino, mestre em psicologia.

A médica elucida ainda que, os serviços especializados para tratamento de demandas específicas na rede pública, como no caso de transtornos alimentares, é muito limitado ou pouquíssimo divulgado.

Administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF), o HB é a única unidade pública da capital que disponibiliza esse tratamento de forma completa, com três especialidades diferentes. Os pacientes, por sua vez, passam por consultas de nutrição, psicologia e psiquiatria no mesmo dia.

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Como explica Viviane, a multidisciplinaridade é fundamental em processos como esse. A profissional acrescenta ainda que, o nutricionista, por exemplo, tem papel fundamental, mas não apenas pelo suporte necessário para alimentação adequada no tratamento nutricional dos indivíduos diagnosticados com distúrbios alimentares. “Mas também na investigação de práticas alimentares inadequadas, com o objetivo de identificar o quanto antes qualquer alteração comportamental que possa a vir prejudicar a saúde desses pacientes”, afirma a especialista.

Responsável pelo serviço no Hospital de Base, a psiquiatra Renata Rainha esclarece que muitas pessoas chegam depois de procurar ajuda em outros locais, o que interfere na percepção de avanços. “Para ter êxito e superar esse tipo de doença, é necessário o acompanhamento especializado das três áreas”, pontua.

Conforme destaca a psiquiatra, a maioria dos casos de transtornos alimentares é ocasionada por problemas psicológicos, como por exemplo, histórico de depressão e traumas passados. Como sintetiza o professor psicólogo do Centro Universitário de Brasília, Sérgio Henrique, a fonte dessas adversidades estão relacionadas a contextos biológicos, psicológicos ou sociais.“Os biológicos estão ligados à genética e metabolismo, enquanto os sociais e psicológicos seriam no sentido de significado da comida, da alimentação e do corpo, atribuídos pelas pessoas”, ilustra.

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Padrões de comportamento

Diante disso, e de forma a tornar o trabalho ainda mais efetivo, a partir da próxima terça-feira (2), o Hospital de Base (HB) irá ampliar a carga horária do Ambulatório que trata dos distúrbios dessa natureza. O atendimento, dessa forma, realizado nas terças-feiras, das 13h às 19h, passará a ser no período das 7h às 19h. Na avaliação de Viviane, a iniciativa é boa, e trará muitos avanços. Para a nutricionista, o tratamento precoce e a prevenção são essenciais. “É algo que tem tratamento, e que está muito conduzido pela equipe do HB e todos com os mesmos objetivos, que é melhorar a qualidade de vida desses pacientes e de seus familiares”, acrescentou.

Como salienta Renata, além da assistência multidisciplinar, o apoio da família é fundamental nesse processo. “Orientamos os pacientes que venham às consultas acompanhados de algum familiar, para que todos estejam envolvidos nas mudanças que devem ser feitas dentro de casa”, reitera a médica. No entendimento de Sérgio Henrique, as chances de eficácia na intervenção é muito maior quando envolve todos ao redor do paciente. “Se o ritmo e o objetivo não for igual para a família e para o indivíduo que sofre do transtorno, isso será uma fonte de interferência negativa”, acrescenta o professor.

O professor Sérgio Henrique desvenda que os distúrbios alimentares se apresentam de diversas formas, e expõe três como os mais comuns: anorexia, bulimia e compulsão. Tais transtornos se definem por padrões de comportamento que afetam negativamente a saúde física e mental das pessoas.

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A anorexia é caracterizada pela baixa ingestão calórica, a partir da busca excessiva pela perda de peso corporal, devido ao medo de engordar e as perturbações quanto ao peso e à forma do corpo. A bulimia, então, vai na mesma direção, todavia, é diagnosticada quando uma pessoa come exageradamente e, devido ao sentimento de culpa, promove episódios de vômitos ou uso de laxantes.

Já a compulsão alimentar, como informa o psicólogo, costuma ser acompanhada pela sensação de falta de controle, com ingestões exageradas de comida e sentimentos de aversão, depressão ou culpa.

Saiba Mais

Diagnosticada com compulsão alimentar, uma das pacientes que foi acompanhada no HBB é a Adriana Soares Carvalho, de 40 anos.
Após perder o pai, há 5 anos atrás, a professora começou a desenvolver sintomas de ansiedade, que acarretaram nos episódios de transtorno.

“Ganhei mais de 20 quilos, perdi o controle, fiquei com a autoestima lá embaixo”, relembra.

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Há um ano, após a mãe perceber a mudança da filha, a professora iniciou o tratamento no HB.

“Tenho conseguido controlar a ansiedade e melhorei bastante minha autoestima”, comemora Adriana. O objetivo do Ambulatório Multidisciplinar é não tratar a obesidade em si, mas o transtorno alimentar.

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