Leandro Grass (PT) incluiu os gastos do Governo do Distrito Federal com publicidade entre os questionamentos apresentados contra Celina Leão (PP) durante uma coletiva de imprensa na sexta-feira (23). Em uma apresentação de intitulada “O que Celina Leão precisa explicar”, o candidato afirmou que o governo gastou R$309,3 milhões em publicidade entre janeiro de 2025 e setembro de 2026 e criticou a destinação de recursos para “divulgar uma imagem positiva da gestão”.
O material compara o valor a investimentos em serviços públicos. Segundo a apresentação, com os R$309,3 milhões seria possível construir 17 UPAs, 21 escolas ou atender 103.183 famílias pelo programa Prato Cheio durante um ano. Leandro também afirmou que parte dos recursos destinados à publicidade vai para blogs e portais com “pouca audiência” e sugeriu que esses sites podem estar “comprados”.
A crítica à publicidade foi um dos nove tópicos da apresentação, que também reuniu questionamentos sobre a negociação entre o BRB e o Banco Master, relações políticas de Celina, empresas ligadas à família da governadora e negócios envolvendo pessoas próximas à atual gestão. O documento apresenta acusações e perguntas formuladas pela campanha de Grass, que cobra explicações da adversária na reta final do segundo turno.
“O que Celina precisa responder”
Além dos gastos com publicidade, a apresentação foi dividida em nove tópicos, com perguntas sobre a negociação entre BRB e Banco Master, mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, relações políticas com o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, e a proximidade de Celina com Leonardo Valverde, apontado no material como intermediário na operação.
Grass também questionou os valores recebidos pelo escritório de advocacia ligado ao vice de Celina, Gustavo Rocha, e os pagamentos feitos à empresa FACENG Engenharia, que tem como sócios o marido e a filha da governadora. De acordo com o documento apresentado pelo candidato, a empresa recebeu R$3,3 milhões entre maio de 2025 e julho de 2026, incluindo pagamentos atribuídos à Real JG e ao Grupo Foco. Grass cobrou detalhamento dos serviços prestados e explicações sobre as relações comerciais.
Outro tópico foi sobre a Operação Drácon, iniciada em 2016, e os processos decorrentes da investigação nos quais Celina é ré. A apresentação também questionou a sociedade da governadora com o empresário Edmundo Pinheiro, dono de uma empresa de ônibus com contratos com o GDF.
Celina anteriormente declarou publicamente que não participou das decisões sobre a compra do Banco Master pelo BRB e que foi contrária à operação. Em março, ao assumir o governo, afirmou que trabalharia para esclarecer o caso.
A apresentação terminou com uma lista de seis perguntas direcionadas à governadora, entre elas se ela tinha conhecimento da negociação do Master, se orientou deputados do PP na votação sobre a compra e por que aceitou Gustavo Rocha como vice, considerando a proximidade dele com Ibaneis Rocha. O material também incluiu um balanço das ações judiciais movidas contra a campanha de Grass.