A construção do Memorial Darcy Ribeiro, no campus da UnB, deve começar em 45 dias. Em reunião com o reitor José Geraldo de Sousa Junior, nesta terça-feira, 24 de novembro, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, garantiu a liberação de R$ 5 milhões para erguer o prédio, apelidado de Beijódromo. O memorial será instalado no complexo da Praça Maior – que engloba a Reitoria, o Minhocão e a Biblioteca Central – e vai abrigar o acervo de 30 mil livros e obras do antropólogo que fundou a UnB.
A vinda do material para o campus era um dos sonhos de Darcy Ribeiro e começou a ser pensada em 1996. “Estou até me beliscando para ver se é verdade. Darcy sempre quis trazer seu acervo para dentro da universidade, que foi sua filha querida”, lembra Paulo Ribeiro, sobrinho de Darcy e presidente da fundação. A expectativa é que o Beijódromo fique pronto para as comemorações dos 50 anos de Brasília, em 21 de abril do ano que vem.
Durante a reunião desta terça-feira, ficou acertado que a captação do recurso será feita pela Fundação Darcy Ribeiro, por meio de projetos do Ministério da Cultura. “O ministro ficou muito impressionado com o projeto do Beijódromo. A abertura do memorial é inclusive um desejo do presidente Lula”, destaca o reitor José Geraldo. A UnB fará a cessão do terreno e o acompanhamento das obras.
ARQUITETURA – A construção do prédio deve ficar a cargo do escritório de João Filgueiras Lima, o Lelé, arquiteto que desenhou o projeto do Beijódromo a pedido do próprio Darcy Ribeiro. “Vim para o Rio de Janeiro para discutir o assunto com minha equipe. Se nós formos fazer essa obra, temos de mobilizar a todos”, disse Lelé após o encontro no Ministério da Cultura.
Na reunião, o arquiteto contou que Darcy o escolheu para fazer o projeto do memorial, e não a Oscar Niemeyer, porque assim o antropólogo teria mais chances de interferir. Ao entregar os esboços do edifício, Lelé escreveu ao amigo: “Foi assim que concebi uma casa digna para guardar seus livros, seu beijódromo e tudo o mais que você imaginar.”
Para José Geraldo, o Beijódromo vai resgatar a memória do idealizador da UnB. “Será um monumento para a cidade, um espaço de visitação não só pela qualidade do acervo, mas também pelo que representa”, ressalta. O prédio se tornará ponto da Trilha Interpretativa da universidade – iniciativa do Decanato de Extensão que conta a história de formação do campus por meio de visitas aos edifícios.