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Brasília

GDF suspende obra na 207 Sul

Arquivo Geral

13/06/2017 7h00

Atualizada 12/06/2017 22h53

Foto: Myke Sena

Manuela Rolim
manuela.rolim@jornaldebrasilia.com.br

Depois de muito protesto, moradores da Asa Sul conseguiram manter a área verde da Quadra 207 intacta. Desde o início de abril, a comunidade vinha travando uma verdadeira batalha contra a construção de um prédio na extremidade da comercial. Ontem, porém, o Governo de Brasília pôs fim ao impasse, suspendendo a obra. A decisão pegou os responsáveis pela edificação de surpresa. Já os apoiadores da causa, comemoraram, apesar de a medida não atingir outras quadras do bairro.

O governador Rodrigo Rollemberg comunicou a interrupção da obra em seu perfil no Facebook. “Estamos atendendo a uma reivindicação da população. Recebemos um abaixo assinado com centenas de assinaturas. Reconhecemos que aquela área já foi incorporada à paisagem urbana como área de uso comum da população. Além disso, existem árvores plantadas há muitos anos, algumas nativas. Como o governo está estudando o processo de desapropriação daquela área, determinamos que a administração suspendesse os efeitos do alvará de construção. Foi tudo feito de acordo com a lei”, garante.

Procurada pelo Jornal de Brasília, a HRC Engenharia ressalta que o lote foi concebido pelo plano diretor da cidade, elaborado por Lucio Costa. “É uma propriedade particular devidamente escriturada e registrada em cartório. Toda a documentação relativa à obra, tais como projeto arquitetônico; registro de CREA e CAU; projeto de acessibilidade no Detran e projeto urbanístico arbóreo foram aprovados pelos órgãos competentes, motivo pelo qual, finalmente, foram outorgados alvará de construção, licença de canteiro de obras e instalação de tapumes”, explica a empresa por meio de nota.

Além disso, a HRC afirma que a obra foi fiscalizada e vistoriada pela Agência de Fiscalização do DF (Agefis), que também emitiu parecer favorável. “Em relação à preservação do meio ambiente, enfatizamos que esta também é uma preocupação da empresa construtora. Reiteramos o compromisso assumido com o poder publico e a comunidade local de replantar as árvores, além de compensar a perda com o plantio de 20 novas mudas para cada uma”, conclui.
A empresa afirmou que irá recorrer da decisão do governador.

Derrubadas e tapumes incomodam

Há 41 anos na capital, a socióloga Graça Ohana, 66, se diz aliviada com a interrupção. “Eles isolaram a área na calada da noite. Acordamos com os tapumes sem aviso prévio ou consulta aos moradores. Um dia, inclusive, pichamos o material com palavras de ordem e o engenheiro da obra chamou a polícia. Somos contra qualquer tipo de construção nesse espaço porque defendemos a área verde e a permanência das nossas calçadas do jeito que está. Estamos falando de um terreno público, que, em algum momento, foi vendido”.

Para ela, a descaracterização da quadra é outro fator determinante. “Temos árvores com mais de 40 anos aqui. Além disso, por causa da crise, vários comércios estão fechando, o que não justifica a abertura de mais um”, declara Graça. Ela garante que a decisão marca a vitória de mais 200 pessoas contrárias ao edifício. “Toda a vizinhança estava mobilizada. Fizemos vários atos”, completa.

Apaixonada por Brasília, a socióloga ressalta a qualidade de vida da cidade. “Não vivemos sufocados aqui. Temos o privilégio de caminhar entre o verde”, acrescenta.

A economista Luciana Zero, 50, compartilha da mesma opinião. Moradora da 213 Sul, ela conta que não teve o mesmo êxito no comércio da sua quadra, onde funciona uma clínica de reabilitação. “É um transtorno porque o prédio atrapalha a visão dos motoristas. Estou muito feliz que o futuro da Quadra 207 tenha sido diferente”.

O local, apesar de isolado, ainda não tinha prédios. No entanto, parte da calçada já estava destruída e materiais de construção foram vistos na área.

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