A governadora do Distrito Federal (GDF), Celina Leão (PP), sancionou, na segunda-feira (11), a lei que retira as áreas da Serrinha do Paranoá e um terreno da Secretaria de Saúde da localizado no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) do plano de capitalização do Banco de Brasília (BRB).
A retirada das áreas foi proposta pelo Executivo em 27 de abril. Dois dias depois, em 29 de abril, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou a medida no plenário. A justificativa dada pelo GDF para a remoção é que os dois imóveis possuem restrições relacionadas à destinação e questões ambientais.
“Retiramos duas matrículas daquela legislação que havia sido mandada para a Câmara Legislativa. Uma é a famosa área da Serrinha, que nós pedimos para retirar pela discussão ambiental sobre ela, e a outra é a área da Saúde, onde vamos garantir que o espaço continue sendo destinado para esse fim. O nosso objetivo é fortalecer o BRB de forma equilibrada e transparente, e assim estamos fazendo”, disse a governadora.
A nova medida altera a legislação aprovada em março, que autorizou o Distrito Federal – acionista majoritário do BRB – a incorporar alternativas para a recomposição e fortalecimento da estrutura financeira da instituição. Antes, a lista concedia nove imóveis para serem usados como garantia ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Agora, o plano de capitalização dispõe de sete.
Crise financeira
O BRB entrou em uma crise após a revelação de rombo bilionário ligado à transações financeiras fraudulentas feitas com o Banco Master. Até o momento, o prejuízo é avaliado em R$ 12 bilhões. Desde então, a instituição tem se esforçado para manter a liquidez e reforçar a capitalização.
Uma das alternativas foi a aprovação da Lei Distrital nº 7.845/2026, que prevê medidas que o controlador majoritário do BRB, o Governo do Distrito Federal (GDF), poderá tomar para restabelecer as condições econômicas do banco. Entre elas, está a concessão de imóveis públicos do DF a serem usados como garantia para a capitalização através de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o FGC.
Reuniões com a alta cúpula
Além da medida, a governadora tem articulado com integrantes da União para um possível auxílio na recomposição do banco. A chefe do Executivo local também tem ido frequentemente à Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, acompanhada do presidente do BRB, Nelson de Souza, para buscar investidores interessados em comprar ativos do banco e assim recuperar a confiança do mercado.
Nos últimos meses, Celina já se encontrou com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Agora, a governadora tem feito pedidos, inclusive públicos, ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar da situação do banco.
Durante a posse no GDF, em março, Celina declarou que, apesar de uma posição ideológica contrária à da atual presidência, teria “humildade suficiente” para recorrer à União. “Nenhum governador responsável pode descartar, se precisar desse pedido para salvar uma instituição como o BRB. Eu tenho humildade suficiente para fazer esse pedido, todo mundo me conhece, sabe minha posição ideológica muito clara, mas esse tipo de situação está acima de interesses políticos, ideológicos”, disse na ocasião.
Apesar disso, a União não se mostrou disposta a ajudar na recomposição do banco. Em recente entrevista, o ministro Dario Durigan atribuiu a responsabilidade da crise ao GDF e reforçou que não há viabilidade de usar dinheiro público para cobrir o rombo.
“O problema do BRB é um problema do GDF, eu não estou dizendo que a União em algum momento não pode entrar, mas é um problema do GDF, a gente não pode esquecer disso. O BRB fez algumas operações que estão nos jornais, que são operações que quebraram o banco. A responsabilidade é do GDF, gente, nós não podemos botar isso em questão”, declarou na época.