Até o final do ano, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES) pretende criar 141 novos leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Para tanto, não tem medido esforços na busca dos recursos para viabilizar a ampliação da oferta de vagas na rede pública. As medidas incluem obras, reformas, aquisição de equipamentos e contratação de profissionais.
O aumento da capacidade da rede pública, de acordo com o subsecretário de Atenção à Saúde do DF, Ivan Castelli, visa reduzir os custos com a contratação de leitos particulares e a melhoria do atendimento. “Ainda somos dependentes da rede privada. Nesse momento, esses leitos contribuem na transição de administração. Sem eles, a população ainda ficaria desassistida”, justifica.
Atualmente, a Secretaria de Saúde tem 125 leitos privados contratados. “À medida que forem criadas novas vagas, esse número será reduzido”, informa o subsecretario. Ele informou que os contratos com três hospitais particulares já foram encerrados.
Outra medida para baixar os custos é a rápida transferência de pacientes que recebem alta de UTIs e necessitam permanecer internados em enfermaria. Antes, esse paciente ficava cerca de sete dias aguardando a remoção, esse prazo caiu para apenas dois dias. Como a diária em UTI é de cerca de R$ 3 mil, a medida gera uma grande economia à SES.
A iniciativa só foi possível após a abertura de 16 vagas no Hospital Regional do Paranoá para receber os pacientes egressos de unidades intensivas até surgir vaga em seu hospital de origem. Já no Hospital Regional da Asa Sul (Hras) está sendo ampliada a Unidade de Cuidados Intermediários, com mais quatro leitos pediátricos, destinados a pacientes graves, mas que já não necessitam de atenção intensiva.
Novos leitos nas regionais
A ampliação no número de leitos vai ocorrer em praticamente todas as regionais de saúde (confira o quadro abaixo). O maior número de vagas será criado no Hospital de Base, onde estão sendo ampliados os serviços de UTI coronariana e neurológica, com 20 leitos cada. O Hospital de Santa Maria passa a oferecer mais 30 vagas, saltando dos atuais 70 para 100 leitos.
Apesar de enfrentar dificuldades com a oferta de leitos de UTI, o Distrito Federal ainda é privilegiado, pois apresenta a melhor média de cobertura do país. Atualmente, temos 4,5% de cobertura de leitos de UTI, quando o parâmetro mínimo recomendado pelo Ministério da Saúde é de 4%. A média nacional não passa de 2,7%. Com a ampliação do número de vagas de UTI (com mais 137 leitos próprios), essa relação vai passar a ser de 5,5%.
Atualmente, a SES dispõe de 355 leitos, sendo 125 contratados junto à rede privada. O país tem 15.164 leitos de UTI, quando o mínimo necessário seria de 22.888.
Homecare
A SES também já elaborou projeto de implantação de um serviço de homecare para desafogar outros leitos em UTIs da rede. A idéia é contratar uma empresa especializada para assistir 40 pacientes crônicos – que necessitam de ventilação mecânica – em suas próprias casas.