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Brasília

Gauchão

Arquivo Geral

08/11/2016 7h55

Atualizada 07/11/2016 9h55

Foram reveladoras as declarações de Cuca após a vitória do Palmeiras sobre o Internacional, domingo. Depois de festejar muito, “correr” para a galera, participar de uma roda de oração no gramado, o treinador palmeirense aceitou conversar com repórteres antes mesmo da coletiva. Falou de como seria ruim um mau resultado, lembrando que teria “dez dias para remoer” a queda na distância sobre o Santos (não teremos rodada do Brasileiro até o dia 15 por conta da seleção); fez questão de frisar a qualidade do time do Internacional e, neste ponto, afirmou: “Foi a final de um Gauchão”.

O Palmeiras está seis pontos à frente do Santos, vice-líder, com quatro jogos a realizar. Mais do que nunca, agora, o Verdão precisará incorporar este método “gauchesco” de encarar seus jogos. Cada partida, agora, vale apenas pelos pontos a serem conquistados. Nada além disso. Futebo-arte? Que nada. O que importa são os três pontos. Com mais sete pontos (isso considerando-se que o Santos vá vencer todas as partidas que faltam) o jejum de mais de 20 anos sem títulos do Brasileiro termina – e é o que importa para a torcida. Toquinhos, firulas, magia? Deixa para depois, pensam todos os alviverdes.

Quando falo em estilo “gauchesco” e logo a seguir associo a imagem a um futebol mais duro não quero dizer que os times do Sul do país não sejam capazes de jogar bonito. Não esqueço o Internacional dos anos 70, com Falcão e Valdomiro; não ignoro o Grêmio dos anos 80, com Renato Gaúcho; apenas me refiro ao chamado “estilo copeiro” que fez do tricolor, por exemplo, o maior ganhador da Copa do Brasil (e está em mais uma final, não esqueçam). É o futebol de resultados. Aquele que importa neste momento ao Palmeiras – ou será que alguém no Parque Antarctica quer repetir 2009, quando o time abriu vantagem e acabou morrendo na praia, vendo o título se encaminhar para a Gávea?

Protestos

Foi um domingo estranho no Campeonato Brasileiro.

Começou com uma partida inesperadamente realizada às 11h. Ponte Preta x Santos deveria ter ocorrido na noite anterior, mas um pedido da PM mudou tudo, para desespero das comissões técnicas. E a estranheza só fez aumentar quando o Santos entrou em campo com a frase “faltou respeito” em suas camisas. Pelo regulamento, a equipe da Vila Belmiro não poderia ter atuado com aquele uniforme, ou “fardamento”, como diriam nossos patrícios d’além-mar. Ainda mais depois que a assistente, da CBF, foi informada que se tratava de um protesto contra a alteração da data/horário da partida. O regulamento da Fifa (e do Brasileiro) proíbem este tipo de manifestação política – como também qualquer manifestação religiosa (como aliás fizeram os jogadores do Boa Esporte Clube na festa pela conquista da Série C), racial, étnica, sexual…

À tarde, em jogo transmitido para todo o país em tevê aberta (minto, afinal de contas alguém deve ter visto Palmeiras x Internacional na emissora que detém os direitos do Brasileiro), no Mineirão, havia várias faixas contra o Ministério Público, contra “o futebol moderno”, pedindo paz e segurança nos estádios e mais, e mais, e mais. Tudo por conta da morte de um torcedor do Cruzeiro (Eros Dátilo Belizardo), ocorrida no estádio, dia 26 de outubro, após ser agredido com socos, choques, pontapés e um “mata-leão” por seguranças terceirizados do Mineirão.

Pelo que está escrito, por mais justas que possam ser as faixas e os protestos, elas também infringem o regulamento e o árbitro não deveria permitir que o jogo começasse sem que fossem retiradas. Não foi o que aconteceu e todos ficamos sabendo que a tese do “infarto”, dada previamente pela Polícia Militar, talvez não corresponda à realidade dos fatos. Tomamos conhecimento, também, que o tal “futebol moderno”, que transformou nossos estádios em arenas, deixa os torcedores agora à mercê de seguranças que não demonstram preparo algum para lidar com o público – como não lembrar do que aconteceu no Flamengo x Corinthians, quando mesmo agredido um policial do GEPE não usou arma para conter a fúria da Fiel que o encurralou?

Repito: as duas manifestações, do Santos e da torcida do Cruzeiro, são legítimas, importantes e deveriam ser valorizadas, mas diante da chamada “letra fria” do regulamento, são passíveis de punição. Ou melhor… Os jogos nem deveriam ter começado com tantas infrações. Mas quem liga para isso?

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