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Brasília

Fugitivo do Saidão de Ano Novo, envolvido na morte de criança é apreendido

Arquivo Geral

10/01/2019 14h36

Divulgação PC/DF

Brenda Abreu
redacao@grupojbr.com

Um dos adolescentes envolvidos na morte de Maria Eduarda, de apenas cinco anos, foi apreendido nessa quarta-feira (9) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), após fugir na saída especial de Ano Novo (2019). O crime, motivado por briga entre gangues, ocorreu em maio do ano passado, em Ceilândia. Na ocasião, tiros foram disparados em direção a uma casa, e a pequena foi atingida acidentalmente. Um irmão dela, de 17, foi atingido na perna. O real alvo era outro irmão, de 15. Todos os quatro envolvidos estão na prisão, sendo três menores de idade.

O infrator de 17 anos teve o benefício de sair temporariamente do sistema socioeducativo depois de passar seis meses internado. A polícia conseguiu encontrar o fugitivo após receber informações de que ele estaria planejando um ataque contra uma gangue rival, da QNO 18, em Ceilândia. Ele foi flagrado com uma porção de maconha, e em seguida, encaminhado à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) II.

O adolescente acumula 15 passagens pela polícia, e segundo o delegado Ricardo Viana, da 24ª DP, é considerado de “alta periculosidade”. Ele é acusado de latrocínio, porte de arma, roubo e tráfico de drogas, entre outros crimes. De acordo com policiais, o menor infrator é um dos líderes da gangue “17 do Mal”, da QNO 17.

Menina morreu após ser baleada dentro de casa. Foto: Arquivo Pessoal

Em uma retrospectiva, o delegado conta o primeiro contato da polícia com o menor infrator. Ele foi acusado por tentativa de latrocínio, após tentar roubar um veículo de um homem que saía para vender lanches de madrugada, na Expansão do Setor O, em dezembro de 2017. O jovem não conseguiu ligar o carro, e por isso, disparou um tiro na barriga do vendedor, que não morreu. Nessa ocasião, o criminoso foi apreendido.

A guerra entre gangues justifica a morte de pessoas inocentes, como de Maria Eduarda e do jogador amador de futebol, Cristian Henrique Nogueira, de 17 anos. A causa da intriga entre os grupos é desconhecida pelos policiais. “Não se sabe a origem dessas brigas. Se formos analisar, qualquer coisa pode ocasionar isso, por ser de questão territorial”, explica. A gangue rival é chamada de “Expresso 18”, e domina a QNO 18.

Relembre os casos

As mortes de Maria Eduarda e do jogador Cristian Henrique Nogueira ocorreram de forma semelhante: os dois foram vítimas da briga de gangues. De acordo com a Polícia Civil, menores tentam ocupar, nos bandos conhecidos como 17 Terror e Expresso 18, vagas deixadas por adultos presos.

Segundo as investigações, após a fuga do jovem infrator da Unidade de Internação de Santa Maria (UISS), em 9 de maio, ele começou a fazer provocações nas redes sociais. No dia 18, se juntou com um colega e entrou na QNO 18, onde ambos renderam um adolescente, colocaram a vítima dentro de um carro e deram-lhe várias coronhadas. O menor foi solto logo depois, sob a ameaça: “o terror voltou”.

O recado foi encarado pelo grupo da QNO 18 como ameaça. Como revanche, eles foram até a QNO 17, onde cometeram o crime contra o jogador de futebol. “Ele não tinha nada a ver com o assunto”, garante o chefe da 24ª DP. Era 20 de maio, domingo, quando o rapaz de 17 anos foi atingido com um tiro na cabeça. Ele aguardava o ônibus em uma parada, acompanhado de sua irmã, quando foi abordado por dois homens de bicicleta.

Um dia após a morte de Cristian, a menina de cinco anos foi baleada na cabeça e no tórax, ao sair para buscar pipoca. O alvo, supostamente, seria seu irmão de 15 anos, suspeito de estar envolvido na guerra entre os grupos. Ele não foi atingido. Um outro irmão de 17 anos foi baleado na perna. Ele também teria envolvimento com organizações criminosas, mas, naquele momento, não era alvo.

O crime ocorreu na casa dos tios de Maria. Na época, eles contaram ao Jornal de Brasília que o carro em que os criminosos andavam no momento dos tiros estava rondando a residência. “Eles devem estar procurando o meu sobrinho, que mora aqui no barraco de trás”, disse o tio da menina e dono da casa, Gerson Barbosa Lins, de 39 anos.

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