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Larissa Santiago
larissa.santiago@jornaldebrasilia.com.br
O Fórum Transporte Público de Qualidade é a Solução, promovido pelo Jornal de Brasília, ocorreu na manhã desta quarta-feira e recebeu diversas autoridades para discutir a real situação do transporte público do Distrito Federal e apresentar soluções para os problemas.
No primeiro painel participaram o diretor geral do DFtrans, Marco Antônio Campanella , o diretor técnico do Metrô, Luiz Gonzaga, o presidente da Associação dos Usuários de Transporte Coletivo do DF, Vidal Guerra, o representante do movimento Passe Livre, Paique, o professor da UnB, Raphael Matos.
No segundo painel os convidados foram o diretor-superintendente da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano, Marcos Bicalho dos Santos, o presidente do sindicato dos rodoviários, João Osório, o representante do sindicato dos metroviários, Luciano Soares e o representante dos micro-ônibus Luís Flávio Batista.
Participaram também o diretor superintendente do Jornal de Brasília, Marcos Lombardi e a editora-chefe do jornal, Maria Eugênia.
O primeiro a falar foi o diretor geral do DFTrans, Marco Antônio Campanella. O diretor avaliou o transporte público do DF como um dos maiores desafios deste governo. “Não tem sentido Brasília continuar convivendo com um sistema extremamente desorganizado, com falhas nos itinerários, falhas no horário…”, disse.
No total 15 milhões de pessoas fazem uso de transporte público todo mês. De acordo com o diretor do DFtrans “Se o transporte não for corrigido dentro de nove anos Brasília será paralisada”.
De acordo com o professor da UnB, Raphael Matos, não há uma solução para conseguir transformar o transporte público da noite para o dia. Na opinião dele o brasiliense poderá contar com um transporte de qualidade somente daqui a cinco ou seis anos.
Soluções
O diretor geral do DFtrans, apresentou soluções para o setor. Segundo ele o DFtrans irá tomar posse do sistema na próxima semana e irá assumir também a empresa Fácil. O diretor informou que um estudo está sendo feito em Planaltina, que é, por ele, considerada uma das regiões mais críticas. O estudo prevê a criação de uma linha que liga microônibus e ônibus na cidade. Ele sugeriu a implementação de faixas exclusivas para ônibus nos horários de pico. O lançamento de um edital que autoriza a compra de 900 ônibus, pois grande parte da frota não tem licitação. E também colocar GPS e câmera nos veículos.
Atualmente em Brasília existe 1,2 milhão de carros nas ruas. E, de cada 100 pessoas que precisam se deslocar para o trabalho, 70 delas faz uso do automóvel particular. A grande parte com apenas uma pessoa dentro. E este número aumenta a cada ano. Segundo o professor, são colocados nas ruas do DF 60 mil novos veículos por ano. “Isso contribui para diminuir a fluidez da via”, afirma.
O diretor superintendente do JBR, Marcos Lombardi, afirmou que, se continuarmos nesse ritmo de crescimento, nós teremos em 2020 uma frota de dois milhões de veículos particulares.
Caos
Segundo Vidal Guerra da associação dos Usuários de Transporte Coletivo do DF, em 1999 o transporte era um caos e pouco coisa mudou nesses últimos 12 anos. “Nada se fez no sentido de oferecer um transporte de qualidade. É necessário um choque de gestão para mudar essa realidade”, defende. O diretor diz ainda que a população precisa se mobilizar e reivindicar melhores condições. “A população tem que fazer alguma coisa porque se ficarmos parados pode ser que os nossos anseios não sejam atendidos”, afirma.
Na opinião do diretor- superintendente da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano, Marcos Bicalho, a solução é a implantação de um sistema que ele chama de BRT, ou Bus Rapid Transit, o que, nada mais é, do que faixas exclusivas para ônibus com estações projetadas para otimizar a utilização do transporte, o que o governo do DF atualmente chama de VLP. “Nos últimos anos o transporte público perdeu qualidade. Hoje ele disputa espaço com os carros e caminhões. Nós devemos buscar investimentos em infra-estrutura, por meio do BRT”, fala. Para Marcos um dos problemas do DF é a gestão dupla dos serviços de transporte.
“Essa gestão deveria passar toda para o GDF. Podem ter certeza de que a falha do serviço que temos hoje é por causa do governo local”, afirma. Marcos critica ainda as faixas exclusivas criadas na EPTG. “Infelizmente é uma obra que não levou em conta a concepção do sistema, fizeram um corredor simples sem se atentar que aquilo poderia ser um verdadeiro metrô sob pneus. Não se pensou em implantar um sistema que pudesse ter condições de produtividade e conforto para usuários”, falou.
Para o presidente do sindicato dos rodoviários o transporte público se encontra nesta situação hoje em dia porque por muito tempo foi visto como um transporte para os excluídos, que não tem condições de comprar um carro para se locomover. “Por muito tempo ele foi visto dessa forma e como tal foi tratado”, avalia.
O representante dos micro-ônibus Luís Flávio Batista falou que “se o governo não ajudar de alguma forma as cooperativas elas irão à falência e a situação pode ficar pior do que está hoje”, avisou.
O representante do movimento Passe Livre, Paique, polemizou o debate. “O que eu não entendo é que, se nem a população, nem o governo e nem ninguém está satisfeito com o serviço prestado pelas empresas, porque nós ainda continuamos trabalhando com elas”, questionou.
Metrô
Também foram apresentadas soluções para o Metrô. O representante do sindicato dos metroviários Luciano Soares, explicou que é necessário pensar em um metrô renovado. “Nós precisamos de um metrô reestruturado e modernizado para poder acolher o transporte integrado. O metrô nunca teve a oportunidade de funcionar da forma como tem que funcionar”, fala.
Para o diretor técnico do metrô, Luiz Gonzaga, “não adianta tentar fazer um bom Metrô ou uma boa linha de ônibus, que não se comunicam. É necessária a integração desses transportes”. Luiz Gonzaga ressalta ainda que cerca de 10% dos usuários do metrô o acessam a pé. Mas que há também o acesso de bicicletas e, por isso, há um projeto para implementação de bicicletários. “A obra começa em dois meses”, garantiu.
Além do bicicletário, Gonzaga contou que na próxima semana deverá sair a licitação para a ampliação do Metrô. “O projeto prevê o crescimento de 3,5km para Ceilândia, 2,5km para Samambaia e 1km para Asa Norte, até o Setor Comercial Norte. O objetivo é passar de 150mil passageiros/dia para 350 mil passageiros/dia num período de dois anos”, conta