Bruna Sensêve
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A merenda escolar no Distrito Federal receberá um reforço no segundo semestre deste ano. A previsão é que, no dia 25 de julho, quando as aulas da rede pública de ensino forem retomadas, uma maior variedade de alimentos perecíveis chegue aos pratos dos estudantes. Até o final deste semestre, dificuldades com licitação e distribuição dos alimentos teriam atrapalhado o fornecimento de hortaliças, frutas, carnes e laticínios. Com isso, o cardápio teve de ser adaptado para manter uma dieta o mais balanceada possível. A missão de manter uma alimentação saudável para os alunos foi cumprida em grande parte das escolas.
O esforço foi dividido entre nutricionistas e merendeiras da Secretaria de Educação (SEDF), além do apoio de Associações de Pais e Mestres (APM), direção das escolas e voluntários. Segundo a chefe do Núcleo de Planejamento e Educação Nutricional da Gerência de Alimentação Escolar da SEDF, Rosana Mara Mundim, no segundo semestre, todos os alimentos perecíveis serão recebidos pelas escolas no início da semana, de acordo com o calendário de distribuição.
O planejamento das refeições deste ano foi feito no ano passado. Esse é o tempo necessário para que seja realizado todo o processo de licitação, no qual os produtos e insumos são listados e demandados. Agora, o fornecimento de perecíveis está na última fase, o empenho. “Com esses produtos, com certeza poderemos incrementar o cardápio diário”, comemora a nutricionista.
Arroz com brócolis, salada, legumes, verduras, frutas, vitaminas, purês, arroz doce, canja, biscoito, leite, sucos e flocos de chocolate. As refeições receberão maior variedade de alimentos, trazendo a possibilidade de diversificar também a forma de preparo.
Muitas brechas licitatórias deixadas pela gestão passada da Secretaria de Educação precisaram ser resolvidas neste ano. Um exemplo são as licitações para fornecimento de alimentos pela agricultura familiar, que estão em audição na Procuradoria-Geral do Distrito Federal desde o ano passado.
Essa era a principal fonte de distribuição de perecíveis. Com a questão legal a ser resolvida, a partir do segundo semestre, o fornecimento será feito por distribuidores que passaram por licitação pública regular.
A nutricionista Bianca Barroso, responsável pela alimentação escolar na Regional de Ensino de Taguatinga, acompanhou a reportagem a uma escola de sua região que tem a merenda escolar como um dos momentos mais importantes do dia dos estudantes.
A Escola Classe 16, de Taguatinga, recebe uma ajuda especial da Associação de Pais e Mestres (APM) e da direção para incrementar as refeições e orientar os alunos sobre alimentação saudável. Lena Bittencourt é a encarregada da merenda e mostra total dedicação aos alunos. A refeição do dia dos alunos de Ensino Integral era moqueca de peixe.
O alimento havia chegado há poucos dias, mas não teria sido preparado porque as crianças ainda aproveitavam as delícias da festa junina realizada dias antes na escola. “Somos muito felizes com o trabalho que realizamos. Vemos a satisfação no rosto dos alunos, que retribuem com reconhecimento do nosso esforço”, diz. Vitória Fernandes, nove anos, mostra no rosto a satisfação. “A hora da merenda é a minha preferida”, declara.
Na Escola Classe 6 do Gama, o diferencial fica por conta da horta mantida pelo aposentado Amorim, há quase 20 anos. A vice-diretora Maria Lucineide de Oliveira conta que desde que começou a trabalhar na escola, Tio Amorim, como foi apelidado pelos alunos, é incansável no cultivo das verduras e legumes. “Os alunos adoram porque, além de trazer sabores diferentes à merenda, eles aprendem mais sobre as plantas e o cultivo”, diz Lucineide.
O interesse pelos vegetais começou pouco tempo depois da aposentadoria. Amorim era policial civil e encontrou no plantio uma forma de continuar dedicando seus serviços à sociedade.
“Recebi o auxílio de um engenheiro agrônomo e de um técnico agrícola, que me ensinaram muito sobre o desenvolvimento das plantas. Depois disso, se tenho dúvidas recorro aos livros que, com certeza, dão um bom auxílio”, revela Amorim. Somente agora ele começa a desvendar as formas de produção do melhor adubo para as plantas e o solo.
Até então, outro voluntário fornecia as sementes e o material necessário. Com isso, Amorim desenvolveu uma forma de também ensinar aos alunos como é feita a compostagem e como ocorre o desenvolvimento das minhocas, necessárias para o bem do solo.
As ações para cultivo de alimentos na escola colaborou para uma merenda mais criativa e interessante. “Eles gostam de saber que o que é cultivado no quintal da escola, também está no prato deles”, conta a vice-diretora. As hortaliças que a escola produz são frescas e não precisam ser conservadas já que saem direto dos cultivos de Tio Amorim.
A horta escolar é um programa da Secretaria de Educação e recebe o apoio da diretoria da escola. No entanto, muitas ainda não puderam implementar o programa por falta de espaço e de alguém que conheça bem o processo para o cuidado diário com as plantas. “Ele é melhor que um funcionário do quadro. Está aqui de domingo a domingo”, comemora Maria Lucineide.