Da Redação
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A cena se repete nos estacionamentos públicos mais movimentados de Brasília. Vagas vazias, mas bloqueadas, uma espécie de reserva feita por alguns flanelinhas, que se consideram os donos do espaço. Quem não se submete às suas regras e preço, corre o risco de ter seu veículo danificado.
O GDF tem tentado regulamentar a profissão, desde 2009, mas enfrenta alguns obstáculos. Estima-se que cinco mil guardadores atuem clandestinamente em todo o DF para 1.500 que passaram por cursos de capacitação. A baixa adesão à regularização, segundo a Secretaria da Ordem Pública (Seops), deve-se a um dos pré-requisitos: não ter antecedentes criminais. Isso torna ainda mais perigosa a ação de alguns flanelinhas.
Josefa Ferreira (nome fictício) trabalha no Setor de Autarquias Sul e sente-se coagida pela atuação dos guardadores no local. “Eles guardam vagas para pessoas que trabalham aqui perto e pagam pelo serviço. Todos os dias fico rodando em busca de um lugar para estacionar. É comum ver algumas vagas bloqueadas por um carro. Uma vez, eu briguei com um guardador, pedi para tirar o carro dali porque queria estacionar, mas não adiantou. Uma hora depois, olhei pela janela e a vaga continuava lá, travada”. Josefa acrescenta que quem reclama pode sofrer retaliação. “Eles trabalham aqui há muito tempo, conhecem nossa rotina, nossos horários, ninguém quer correr o risco de se expor. Nós estamos aqui todos os dias e precisamos enfrentá-los, a polícia vem só uma vez”.
Retaliação
A professora Ana Rosa Fernandes, 42 anos, teve a pintura do carro danificada porque não aceitou se submeter aos abusos de um guardador no estacionamento localizado na Quadra 4 do Setor Comercial Sul. Era cedo ainda, pouco antes das 9h, mas a maioria das vagas já estava ocupada. Ana encontrou uma disponível, estacionou e quando desceu do carro foi grosseiramente abordada por um deles. “Ele veio quase me batendo, disse que eu não podia estacionar ali, que a vaga era dele e brigou com o outro guardador por ter deixado que eu parasse”. Quando Ana retornou, percebeu que o carro estava com o lado do passageiro riscado de fora a fora. “O flanelinha foi malicioso, arranhou o lado do passageiro porque pensou que eu não veria de imediato”, constata.
Imediatamente, a professora acionou a polícia. Em pouco tempo a viatura chegou, mas o flanelinha já não estava mais no local. “O outro guardador disse que não sabia de nada e mostrou a autorização para trabalhar aos policiais. Ele não estava com o colete. Registrei ocorrência, voltei ao estacionamento à tarde, com a Polícia Civil, mas ele não estava lá”. O carro passou pela perícia, mas a professora não teve retorno sobre a investigação.
“Querem fazer do estacionamento público um estacionamento privado. A gente que precisa, não encontra vaga e, quando encontra, ainda é obrigado a discutir com o flanelinha”, indigna-se um vigilante, que preferiu não se identificar.
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