Eric Zambon
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O mercado das flores sofreu com a movimentação ruim do Dia de Finados nos cemitérios. A chuva vespertina em alguns pontos do DF atrapalhou o acesso dos visitantes, mas não explica a queda de até 50% na clientela dos feirantes. A expectativa inicial da Polícia Militar era de pelo menos 500 mil pessoas prestando homenagens a seus entes falecidos durante o feriado, mas os comerciantes não acreditam que tenha chegado a tanto.
Saiba mais
- O Campo da Esperança, da Asa Sul, é o maior dentre os seis disponíveis do DF, com 1,2 milhão de metros quadrados, aproximadamente. Conforme a assessoria, ele recebe uma média de 11 sepultamentos por dia.
- Apesar de ter menos da metade da área, o segundo mais movimentado, com dez sepultamentos diários, é o cemitério de Taguatinga, seguido por Gama (4), Sobradinho (3), Planaltina (2) e Brazlândia (1).
“Eu comprei menos da metade das flores em relação ao ano passado e até agora não vendi tudo. Achava que teria conseguido até o meio-dia”, reclamou, por volta das 15h, o dono de uma floricultura no Campo da Esperança da Asa Sul, Demian Machado, 41. “Desde sexta o pessoal está vindo, então acho que o público foi pulverizado, mas o faturamento caiu pela metade”.
Segundo Machado, o valor para adquirir as flores foi reajustado em cerca de 30% em comparação a 2015, então o preço de revenda ao cliente aumentou, o que pode, em parte, explicar a demanda menor. Ele especula também que, como no último ano o Dia de Finados caiu em uma terça-feira, houve feriado emendado desde sábado e, portanto, mais gente se programou para visitar os cemitérios.
A servidora pública Andrea Ribeiro, 45, tem seis familiares enterrados no Campo da Esperança e garantiu visitá-los frequentemente. Para ela, Finados é uma data importante por fazer muita gente se lembrar dos entes queridos. “Às vezes as pessoas se esquecem daqueles que já se foram. É bom que tenha um dia para visitar, para lembrar”, opinou.
Sua mãe, Disam Ribeiro, aposentada de 73 anos, disse ser importante enfeitar as lápides e elogiou a feira em frente ao cemitério. “Mas o preço podia melhorar”, analisou.
Pesquisar para poder economizar
A comerciante Rosângela Rodrigues, 29 anos, levou a mãe Aucy Rodrigues, dona de casa de 56, para visitar parentes falecidos na Asa Sul. Para a moça, que diz frequentar o local mensalmente, os preços elevados das flores e velas afastaram os clientes. “Eu comprei duas flores, mas fui bater perna, pesquisar o preço”, deu a dica.
Ela conta ter gasto R$ 20 com dois arranjos, metade do valor médio para esse tipo de compra nos estandes mais próximos da entrada. Mesmo assim, a comerciante diz que poderia ter pago até R$ 5 a menos não fosse a data comemorativa. “Eles sabem que o pessoal vem e o preço praticamente dobra”, denuncia.
Sua mãe ainda criticou as condições do cemitério. Segundo Aucy, falta manutenção das lápides e limpeza da área. “Os castiçais somos sempre nós que limpamos. Já tentamos até pagar alguém para fazer por nós, mas não adianta”, aponta.
Hoje, a Polícia Militar espera que 50 mil pessoas compareçam aos seis cemitérios do Distrito Federal para prestar homenagens atrasadas aos parentes enterrados. O número é o mesmo estimado para a quantidade de visitantes da última segunda-feira, véspera do feriado.
Ontem, os seis cemitérios do Distrito Federal funcionaram com horário estendido. Os portões foram abertos às 7h, uma antes do convencional, e o acesso foi permitido até as 19h, uma depois do normal.
Na unidade da Asa Sul, a Agência de Fiscalização (Agefis) impediu a aglomeração de ambulantes na entrada. Do lado de fora, a PM organizou o trânsito, e, no interior, a Secretaria de Justiça atendeu o público com uma ouvidoria móvel.