Sheila Oliveira
sheila.oliveira@jornaldebrasilia.com.br
Passados dois meses após a transferência dos artesãos para a nova estrutura da Feira da Torre, ainda tem muita gente insatisfeita com a mudança. Uma das principais reclamações de clientes e turistas é com relação a sujeira. O mirante acumula lixo dos lanches vendidos por ambulantes, ao lado da fila dos elevadores de quem vai subir para apreciar a vista da cidade.
De acordo com alguns artesãos, os banheiros, tanto os localizados no mirante quanto aos que estão na nova feira estão abandonados. “Muitos deles estão até fechados por falta de limpeza. Agora resta saber se o governo irá providenciar uma empresa para prestar esse serviço ou se ficará a cargo da gente”, conta uma artesã que prefere não se identificar.
Para o casal de turista de São Paulo, o agente de turismo Josias Saucedo, 31 anos, e a auxiliar de computação Mayara Alvarez, 23 anos, faltam cuidados com a limpeza e com a estrutura do mirante. “Gostei da feira porque me parece bem planejada, mas acho que o mirante precisa de uma limpeza do tipo que seja de uma nova pintura”, opina Josias. “Se houver uma manutenção correta do espaço ficará ainda melhor”, afirma Mayara.
REVITALIZAÇÃO
O estudante brasiliense Allyson Mendes, 20 anos, concorda com a opinião do casal. “Desde a primeira vez que conheci o mirante, em 2007, ele era desse jeito e continua da mesma forma. Acho que está na hora de uma revitalização na estrutura do local, pois a parte da feira já foi resolvida”, ressalta.
Em maio, o mirante da Torre de TV ficou fechado durante sete dias, por conta da complexidade da transferência dos feirantes da Torre de TV para a área nova. A promessa do governo era de que com a mudança o monumento fosse mais valorizado, devido a retirada de entulho que era produzida pela feira e prejudicava a circulação de pedestres e oferecia riscos à segurança dos visitantes.
No entanto, não foi isso o que aconteceu. O que se percebe é um número cada vez maior de ambulantes no local. “Não acho justo os artesãos descerem e os ambulantes continuarem aqui. Tem até vendedor no estacionamento. Acho que o governo tem que tomar uma atitude o quanto antes para não virar aquela bagunça que era antes”, declara a comerciante Miliane Cordeiro Soares, 34 anos.
Mas há quem defende a mudança. “Depois da transferência as vendas melhoraram bastante. Até os clientes elogiam o novo espaço, mas é preciso se preocupar com a questão da acessibilidade”, conta a artesã Helenice dos Santos, 61 anos.
A falta de acesso a que se refere a comerciante é de quem visita o mirante e decide passear pela feira. O percurso de cerca de 200 metros tem que ocorrer por uma descida acentuada, sem calçamento. “Cadeirante não tem acesso à nova feira. Teve artesão que passou muito tempo discutindo se mudaria ou não e esquece de discutir as condições estruturais do novo espaço. Outra coisa que falta é policiamento. Pedimos apenas o básico para o governo”, relata uma artesã que não se identificou.
De acordo com o primeiro projeto de revitalização da nova Feira da Torre de TV, estavam previstos a construção de duas escadas rolantes que dariam acesso aos visitantes, do mirante aos boxes, localizada na parte de baixo da Torre.
Após várias polêmicas que envolveram a mudança para o novo espaço, sem contar a demora da transferência dos artesãos, a estrutura foi entregue com boxes numerados, praça de alimentação e uma praça central. A distribuição das bancas foi feita por sorteio.
A Secretaria de Turismo do DF (Setur) anunciou, no mês de abril, que a Torre de TV passaria pela primeira reforma da estrutura metálica desde que foi inaugurada. A Setur aguarda agora a finalização do processo de licitação da empresa que dará suporte à reforma do Complexo da Torre e ficará responsável pelo isolamento do local. A expectativa, na época, era de que isso ocorresse em 15 dias. Mas até agora nada foi feito.