Por Débora Oliveira
A corrida para completar o álbum da Copa do Mundo tem mobilizado colecionadores de diferentes idades em Brasília. Crianças, jovens e adultos se reúnem em bancas, feiras e shoppings da capital para comprar pacotes, trocar figurinhas repetidas e tentar encontrar os cromos mais raros da coleção. O movimento ganhou força com a proximidade do Mundial de 2026, que começa em 11 de junho, com jogos sediados nos Estados Unidos, México e Canadá.
Para muitos colecionadores, a atividade vai além do hobby e se transforma em um momento de interação entre amigos e familiares. No ParkShopping, famílias aproveitam o tempo livre para transformar a brincadeira em um momento de lazer. Crianças, acompanhadas pelos pais, percorrem corredores em busca de novos pacotes e participam de rodas de troca com outros colecionadores.
João Gabriel Andrade, de 9 anos, era uma das crianças que movimentavam o shopping em busca de novas figurinhas e oportunidades de troca. Acompanhado do pai, da mãe e do irmão mais novo, o menino contou que acompanha de perto a febre do álbum e se diverte ao abrir novos pacotes. “Eu gosto porque acho bem legal. É muita emoção quando compra um pacotinho, porque você nunca sabe se vai vir uma figurinha rara”, afirmou. João também revelou que uma das figurinhas que mais queria já foi encontrada, a do jogador Lamine Yamal, da Espanha. Animado para o Mundial, ele ainda deu o próprio palpite sobre a competição. “Eu estou torcendo para o Brasil, mas acho que a França ganha esse ano”, disse.

Acompanhado da mãe, o estudante e atleta de futebol Luiz Felipe Moura Dantas, de 12 anos, também participou da movimentação em busca de novas figurinhas. Organizado e apaixonado por futebol, o jovem afirmou destacou que o momento é ainda mais especial por acontecer às vésperas do principal torneio do esporte. “Estou achando muito bom, porque isso só acontece de quatro em quatro anos. É o maior evento de futebol do mundo e é um esporte que eu amo e pratico. Tenho expectativas de que o Brasil vai ganhar essa Copa”, afirmou o garoto.

Luiz contou ainda que também já encontrou uma das figurinhas que mais queria, a do atacante português Cristiano Ronaldo, ídolo do garoto. Segundo ele, o álbum já está avançado e faltam poucas peças para ser completado. “Já consegui a maioria das figurinhas, faltam poucas. Ainda faltam 233”, disse.
A corretora Rosely Maciel Bezerra de Moura, de 35 anos, mãe de Luiz Felipe, afirmou que a experiência tem gerado impactos positivos na rotina do filho. “Está sendo uma experiência incrível participar desse momento junto com meu filho. A família toda está envolvida e reunida, o que torna tudo ainda mais especial. Além disso, percebo uma mudança muito positiva no dia a dia dele, principalmente em relação ao tempo de tela, já que ele tem deixado de ficar o tempo todo no celular. Sem contar que também está aprendendo mais sobre geografia e adquirindo novos conhecimentos de forma leve e divertida”, destacou.
O movimento, entretanto, não atrai apenas crianças. Jovens e adultos também têm participado ativamente das trocas e da busca por novas figurinhas. O professor de bateria e estudante de engenharia Adriel Vieira, de 18 anos, contou que mantém o hábito de colecionar desde a adolescência e acompanha o futebol desde os cinco anos de idade. “Comecei em 2018, mas não consegui completar. Desde 2022 venho colecionando e gostando ainda mais. Lá em casa todo mundo coleciona, e eu troco com amigos aqui no Guará e no ParkShopping”, afirmou o jovem, confiante que dessa vez, irá completar o álbum.

Para o ParkShopping oferecer uma experiência para crianças e adultos guardarem na memória afetiva é sempre o mais importante. “Gerações já trocaram figurinhas aqui no PKS, e continuam trocando. O futebol é uma paixão de meninos, meninas, homens, mulheres. É uma época que envolve e une pais, filhos, amigos, familiares. Fazer parte desse momento que transcende as telas é incrível”, observa Anna Aimée Codeço, gerente de marketing do ParkShopping.
Na tradicional Banca do Brito, na 106 Norte, colecionadores se reúnem diariamente para comprar novos pacotes e trocar figurinhas repetidas. O local se tornou um dos pontos mais conhecidos entre os fãs em Brasília e costuma receber crianças, jovens e adultos durante o período que antecede o Mundial. A tradição começou ainda na década de 1990 e transformou a banca em referência na capital.
Proprietário do espaço há 43 anos, o jornaleiro José Gonçalves Brito, de 63 anos, relembra que o movimento ganhou força em 1994, após uma brincadeira que decidiu fazer com os colecionadores. “No Campeonato Brasileiro eu fiz uma brincadeira com algumas pessoas, quem completasse o álbum primeiro ganhava um álbum completo. Um jornal local fez uma reportagem e, depois disso, deslanchou e virou isso tudo”, contou.
Segundo Brito, embora a banca comercialize álbuns durante todo o ano, a edição da Copa segue como a mais procurada. Para ajudar os clientes, o local também oferece figurinhas avulsas. “Aqui sempre completa rápido. Além de comprar pacotes, a banca oferece o serviço de venda avulsa. Se a pessoa precisa de um número específico, a gente tem. O mais legal é ver crianças e adultos se divertindo juntos e conseguindo completar o álbum”, afirmou.

A Banca do Brito foi o local escolhido pelo empresário Lucas Ruan, de 21 anos, para dar início à sua coleção. Enquanto abria os primeiros pacotes, ele contou que o local já se tornou um ponto tradicional para colecionadores na capital. “Eu começo minha saga hoje e abri meus primeiros pacotinhos. A banca do Brito é muito famosa e virou um ponto de encontro para fazer amizades, trocar figurinhas e tentar completar esse álbum tão esperado”, afirmou.
Nesta edição, completar o álbum da Copa do Mundo se tornou um desafio ainda maior para os colecionadores. Com a expansão inédita do torneio para 48 seleções, a coleção ultrapassa a marca de 900 figurinhas, aumentando o número de cromos necessários para finalizar o álbum. O investimento também cresceu, cada pacote com sete figurinhas custa R$ 7, e especialistas do setor estimam que o custo total para completar a coleção pode chegar a cerca de R$ 1,2 mil. Além disso, algumas figurinhas raras têm movimentado o mercado paralelo entre colecionadores e podem ser vendidas por até R$ 300.
