Familiares, parentes e amigos da vendedora Fernanda Grasiely Alves, 25 anos, assassinada brutalmente pelo ex-marido no Terraço Shopping, se organizaram e com faixas, camisetas personalizadas, fotos e velas fizeram uma vigília em frente ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). Com pedidos de justiça, as pessoas que conviviam com a vítima exigem pena máxima para Victor Medeiros, 29 anos, que será julgado amanhã em primeira instância.
O irmão da vítima, Rhideyk Humberto Alves, 28 anos, explica que amigos, parentes e conhecidos desejam que o assassino confesso seja condenado a muitos anos de reclusão. “Queremos justiça e se ele for condenado com o mínimo irá cumprir menos ainda. Desejamos que a gravidade do que ele fez tenha a mesma gravidade judicial. As velas que trouxemos representam a luz de Fernanda”, disse.
Rhideyk ressalta que a mãe tenta retomar a rotina com a ajuda do neto, filho de Fernanda. “Com a morte de Fernanda, ficamos na escuridão. O filho dela repete que a mãe virou uma estrela e que quando o dia chega não consegue mais vê-la.”
Emocionada, a mãe de Fernanda, Gislene Aparecida de Almeida, 49 anos, prometia não deixar a morte da filha cair no esquecimento. Para a dona de casa, o crime serve de alerta para que o Judiciário tenha mais atenção aos casos de mulheres que sofrem agressões dos maridos.
“É um sofrimento prolongado porque sempre nos lembramos de Fernanda e isso dói demais. Uma boa punição vai servir de alerta para os homens terem mais amor pelos seus filhos e esposa”, aponta.
Pró-Vítima
A assistente de acusação e coordenadora de atendimento do programa Pró-Vítima, Iara Lobo de Figueiredo, também aderiu à vigília. Segundo ela, a pena máxima do homicídio qualificado pode chegar a até 30 anos. No entanto, Iara explica que dificilmente o júri estabelece a pena máxima.
Memória
A vítima foi morta no dia 1ª de março com golpes de faca dados pelo ex-marido, que não queria o fim do relacionamento. Fernanda trabalhava na loja e foi surpreendida com a ameaça. Ela ainda caminhou para pedir socorro, mas morreu na porta do estabelecimento.
O ex-marido, que comprou a faca horas antes do crime, tentou fugir, mas foi pego por seguranças do shopping. Victor foi preso em flagrante no próprio dia, data em que comemorava 29 anos.
Grito contra violência doméstica
A coordenadora do Pró-Vítima, Iara Lobo Figueiredo, afirma, porém, que já será uma condenação alta se Victor for condenado a 25 anos. E isso apesar de amigos e familiares exigirem pena ainda maior. “A nossa intenção é chamar a atenção da população para a violência doméstica que resulta em homicídio. Chega de crimes contra a mulher. Chega de assassinatos.”
Caso Villela
Outra ação que deve ter desdobramento nesta semana é o Caso Villela. O juiz deve decidir se os réus do crime da 113 Sul serão levados a júri popular. Na audiência da semana passada, foi reinterrogado o ex-porteiro Leonardo Campos Alves, depois de pedido formulado pela OAB e acatado por sua defesa.
Alves negou participação e afirmou que havia confessado sob tortura. Contou que só conhecia Adriana Villela de vista e se disse um homem trabalhador.