A empregada doméstica Nilce Sobral, 56 anos, moradora do bairro Nova Flórida, em Alexânia vive um drama toda vez que chove. Ela e grande parte dos moradores do local sofrem com problemas gerados pela água da chuva que invade as casas e causa grandes erosões. Isso porque a cidade não conta com rede de saneamento pluvial e nem de esgoto. As casas têm fossas para os despejos. Além dos transtornos com a sujeira trazida pela chuva, são constantes os riscos de contaminação, além do mais grave, a erosão que a cada ano cresce de tamanho e profundidade.
Conforme Nilce, que mora no bairro há mais de 25 anos, o estrago já foi bem menor. “Quando me mudei para cá essa erosão não passava de uma fendazinha, por onde escorria a chuva, ainda nem tinha asfalto aqui. Acho que se tivessem arrumado tudo no início e quando construíram as ruas, isso não teria chegado onde chegou”, reclamou a moradora.
Para amenizar os problemas na chácara onde mora, ela teve de fazer uma adaptação na propriedade, colocando manilhas na porta de entrada para dar vazamento à água que passa em frente à casa dela, e que vem de três ruas.
Saídas
Em outro ponto do terreno da residência, ela construiu uma vala de contenção e uma pequena rede de saneamento para que a enxurrada não desça até os fundos do lote, arrastando o que vem pela frente. “Tive de fazer tudo isso sozinha, sem o apoio da prefeitura. Como só tenho segundo grau e não entendo de construção, fui pedir orientação ao engenheiro do município, mas não consegui ajuda nenhuma. Aí tirei terra daqui, joguei ali, instalei bocas de lobo, fiz terraplanagem, etc”.
A força da água que chega até o bairro Nova Flórida é tão forte que, conforme recorda Nilce, há cerca de 15 anos, uma criança pequena foi arrastada pela enxurrada na rua da casa dela. “Acho que só não morreu porque um adulto viu e conseguiu socorrer, se não teria ido parar ribanceira abaixo”, contou.
Crianças
E esta é uma das preocupações da vizinha de Nilce, a coordenadora de projeto social Eleusa Gonçalves de Oliveira, 36 anos. Ela tem dois filhos pequenos e sente-se incomodada de não poder deixar os meninos saírem do portão para fora. Apenas uma rua de poucos metros de largura separa a casa dela de uma erosão que chega aproximadamente 10 metros de profundidade. Neste local, disse, onde se formou um perigoso barranco, uma
moça foi encontrada morta, há aproximadamente dois anos e um rapaz se afogou no pequeno riacho que se formou no fundo da erosão.
“Fiz uma reclamação uma época atrás, aí construíram uma galeria aqui em frente de casa para absorver a água, mas ficou mal feito, continua sem resolver nada”, criticou Eleusa. A coordenadora continua vendo o mesmo problema acontecer: parte da casa onde mora fica alagada, e sua família fica praticamente ilhada. “Nem o carro passa aqui na porta de casa”, se queixa.
Quanto à enorme erosão, também Eleusa recorda que o problema já foi mínimo e fácil de resolver. “Era uma pequena grota, a genteaté fazia piquenique aqui nessa área. Agora para recuperar isso, nem sei como poderão fazer”. As moradoras dizem que perderam as contas das vezes que solicitaram providências à Prefeitura, mas praticamente nada foi feito e o problema só se agravou a cada ano.
Iluminação
Não só do mal planejamento da estrutura de urbanização e pavimentação asfáltica os moradores de Alexânia se queixam. A iluminação dos bairros também não está completa. “Aqui mesmo, em frente de casa, se recusam a instalar um poste porque dizem que falta a quantidade de moradores suficiente para isso”, comentou Eleusa. Além disso, os buracos nas ruas revelama falta de reformas e recapeamento asfáltico nas principais.
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O município goiano de Alexânia fica localizado a cerca de 80 quilômetros de Brasília e 115 da capital Goiânia. |