A vida sobre uma cadeira de rodas não é impedimento para a arte. Apaixonados pela dança, dez adolescentes e crianças com deficiência se apresentam rotineiramente no DF. Entre tantas coisas em comum, eles têm o sonho de dançar na abertura da Copa das Confederações, no mês que vem. Mas a expectativa deu lugar à frustração. O grupo Asas para Dançar foi barrado na seleção para o evento. O motivo: as cadeiras de rodas dificultariam a mobilidade no campo.
A coordenadora artística do Instituto Avivarte, Jane Pires, fez a inscrição para a seletiva. No último dia 30, o grupo chegou a fazer testes, mas o resultado foi negativo. Para eles, é difícil acreditar que um estádio que estaria dentro dos parâmetros de acessibilidade não pode recebê-los.
Jane explica que a única restrição do regulamento era de que os voluntários fossem maiores de idade. Segundo ela, a resposta final que obteve esclarece que há pessoas com deficiência participando da cerimônia, mas se faz necessário que tenham maior mobilidade.
“Temos duas alunas maiores de idade e se apenas elas participassem, já estariam representando o grupo”, afirma.
Bailarinas, Natália Ladislau, 23 anos, e Sabrina Araújo, 26, chegaram a mandar cartas à presidente Dilma Rousseff. “É frustrante saber que vivemos em uma sociedade que não sabe lidar com os direitos e deveres de cada um dos cidadãos. Seria algo tão bonito se pudéssemos entrar no palco abraçando a bandeira da acessibilidade”, diz Natália.
Em nota, o Comitê Organizador da Copa do Mundo Fifa Brasil 2014 esclarece que o processo de seleção incluiu pessoas com deficiência desde a fase de recrutamento até a alocação dos voluntários. No entanto, não seria possível receber cadeirantes nas atividades que ocorrerão no gramado, pois a superfície instável impediria a locomoção adequada. “Trata-se do gramado coberto por uma lona, o que pode trazer riscos de segurança”, diz o pronunciamento.
Já o Palácio do Planalto informou que há um setor que recebe correspondências direcionadas à presidência. Os documentos são encaminhados aos órgãos competentes. No entanto, segundo a assessoria de imprensa, não foram encontradas as cartas das bailarinas, porém a informação é de que os documentos possam ter chegado e ainda não terem sidos processados no sistema.
O bailarino Lucas Ribeiro da Costa, 14 anos, não esconde a tristeza. “O preconceito existiu e é uma pena, pois existe vida em cima de uma cadeira de rodas. Só queríamos poder mostrar isso”, diz. O grupo não desistiu do sonho.