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Brasília

Falta de acessibilidade impede acesso de bailarinos cadeirantes em seletiva para Copa

Arquivo Geral

07/05/2013 8h36

A  vida sobre uma cadeira de rodas não é impedimento para a arte.  Apaixonados pela dança,   dez  adolescentes e crianças com deficiência  se apresentam rotineiramente no DF. Entre tantas coisas em comum, eles têm o sonho de dançar na   abertura da Copa das Confederações, no mês que vem. Mas a expectativa deu lugar à frustração. O grupo Asas para Dançar foi barrado na seleção  para o evento. O motivo: as cadeiras de rodas dificultariam a mobilidade no campo.

 

A coordenadora artística do Instituto Avivarte, Jane Pires, fez a inscrição para a seletiva.   No último dia 30, o grupo chegou a fazer   testes, mas o resultado foi negativo. Para eles, é difícil acreditar que um estádio que estaria dentro dos parâmetros de acessibilidade  não pode recebê-los.

 

Jane explica que a única restrição do regulamento era de que os voluntários fossem maiores de idade. Segundo ela,  a resposta final que obteve esclarece que há pessoas com deficiência participando da cerimônia, mas se faz necessário que tenham maior mobilidade.
“Temos duas alunas maiores de idade e se apenas elas participassem, já estariam representando o grupo”, afirma.

 

Bailarinas, Natália Ladislau, 23 anos, e Sabrina Araújo, 26, chegaram a mandar cartas   à presidente Dilma Rousseff.  “É frustrante saber que   vivemos em uma sociedade que não sabe lidar com os direitos e deveres de cada um dos cidadãos.  Seria algo tão bonito se pudéssemos entrar no palco abraçando a bandeira da acessibilidade”, diz Natália.

 

Em nota, o Comitê Organizador da Copa do Mundo Fifa Brasil 2014 esclarece que o processo de seleção   incluiu pessoas com deficiência desde a fase de recrutamento até a alocação dos voluntários.  No entanto,   não seria possível receber cadeirantes nas atividades que ocorrerão no gramado, pois    a superfície instável impediria a locomoção adequada. “Trata-se do gramado coberto por uma lona, o que pode trazer riscos de segurança”, diz o pronunciamento.

 

Já o Palácio do Planalto informou que há um setor   que recebe correspondências direcionadas à presidência. Os documentos   são encaminhados aos órgãos competentes. No entanto, segundo a assessoria de imprensa, não foram encontradas as cartas das   bailarinas, porém a informação é de que os documentos possam ter chegado e ainda não terem sidos processados no sistema.

O   bailarino Lucas Ribeiro da Costa, 14 anos, não esconde  a tristeza. “O preconceito existiu e é uma pena, pois existe vida em cima de uma cadeira de rodas. Só queríamos poder mostrar isso”, diz.  O grupo   não desistiu do sonho.

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