Para o título, aparentemente em luta até a última rodada, ponto a ponto, Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro. Para as colocações seguintes e, teoricamente, lugar na Libertadores, também, Santos e Fluminense. Correndo por fora, atentos a algum vacilo de santistas ou tricolores, Grêmio, Atlético Paranaense, Corinthians e Botafogo. Lá embaixo, sem salvação América Mineiro e Santa Cruz, querendo levar para o abismo Cruzeiro, Figueirense, Internacional, Coritiba, São Paulo, Sport e Vitória.
Fosse o futebol uma ciência exata, o parágrafo anterior definiria a situação do Brasileiro nestas dez últimas rodadas, incluindo, nelas, as duas partidas de logo mais (Santa Cruz x Palmeiras, em Recife; e Coritiba x América Mineiro, na capital paranaense). Só que não é assim que a banda toca, muito pelo contrário. Desta forma, teremos emoções, do início ao fim da tabela de classificação, até a última rodada.
O tropeço do Flamengo, sábado, diante do São Paulo, ajudou (e muito) o Palmeiras. Resta saber se o Verdão irá fazer sua parte hoje. Ganhando, a equipe de Cuca abrirá três preciosos pontos de vantagem sobre o rubro-negro, ainda vice-líder, com uma vitória a mais e vantagem também no saldo de gols e no número de gols marcados. Resumindo: estará em primeiro lugar com autoridade absoluta. Correndo por fora, ainda, o Galo, que conquistou uma vitória importante fora de casa e embolou com o Flamengo.
Vencer fora de casa, por sinal, está fazendo grande diferença neste Brasileiro. Ainda mais se este triunfo fizer parte de uma boa sequência de resultados. Foi assim, ganhando fora de casa e enfileirando bons resultados que o Fluminense, de repente, encostou no G-4 (chegou a ficar em quarto lugar por algumas horas depois de bater o Sport). O time de Levir Culpi ganhou suas três últimas partidas (Grêmio, Corinthians e Sport), duas delas fora de casa.
Na próxima rodada, um confronto direto com o Santos pode animar ainda mais a galera carioca. Se vencer, o Fluminense assume de vez o quarto lugar. Se perder, mesmo na pior combinação de resultados, permanece em quinto, ou seja, sonhando com o G-4 (ou G-5, ou G-6, sei lá). É ou não é importante ganhar fora de casa?
Foi assim, também, que o Botafogo, de nome para o rebaixamento acabou assumindo o oitavo lugar. Derrotou o Cruzeiro, em Belo Horizonte, e usando o estádio da Ilha do Governador como alçapão, foi subindo, subindo, subindo… A distância é razoável, mas quem disse que o alvinegro carioca não pode sonhar com algo mais do que o meio da tabela de classificação? E, repito, antes de a bola rolar, 11 em cada dez boleiros pesquisados dizia que o Botafogo era nome certo no rebaixamento.
Surpreendidos pelo fantasma da degola continuam Internacional, São Paulo e Cruzeiro. Colorado e Raposa conquistaram três pontos preciosos neste fim de semana e respiram. O time gaúcho ainda dentro do Z-4; o mineiro já colocou a cabeça de fora. Ainda assim, há riscos. A galera continua temendo pelo pior. Situação semelhante a vivida por São Paulo e Sport.
Voltando ao parágrafo de abertura da coluna de hoje, fosse o futebol uma equação matemática, o autor poderia dizer que está tudo resolvido. Mas não é assim. E uma vitória logo mais, por exemplo, do Santinha, vira de cabeça para baixo tudo o que foi escrito até aqui. Se o Brasileiro ganhou ares de extrato bancário, com entradas e saídas definidas nesta rodada que termina hoje, o imponderável traz aquele cheirinho de surpresa a todo o momento.