“O criminoso sempre retorna à cena do crime”. Se a famosa frase é verdade ou não, pouco se sabe. Mas por conta disso, o estelionatário Josemar Alves Soares, 41 anos, acabou preso, depois de voltar a uma loja onde havia aplicado o golpe da documentação falsificada, na tarde da última sexta-feira, no Shopping do Conjunto Nacional. O criminoso é ex-policial civil e já cumpria pena, em regime semi-aberto, também por estelionato e prestava serviços para o Ministério da Justiça.
Com Josemar foi encontrada uma série de documentação falsificada que impressionou os policiais pela qualidade e semelhança com originais. Havia cerca de onze carteiras de identidade (alguns de identificação de médico), contracheques de hospitais e extratos bancários. Também estavam em posse do criminoso diversos cartões de crédito e quatro talões de cheque, supostamente obtidos com as identidades falsas.
Todo o material, além de um notebook, dois celulares e R$ 500 em dinheiro, foi apreendido dentro de um veículo Astra cor prata, que estava em posse do criminoso. “A princípio negou que estivesse com o carro. Mas encontramos com ele um tíquete de estacionamento e localizamos o carro no shopping”, revelou Rossetto. “Suspeitamos que ele tinha um comparsa, que tentaria esconder o Astra”, acrescentou.
O delegado-chefe da 5ª Delegacia de Polícia-que registrou o flagrante- Laércio Rossetto acredita que possa haver ainda, um esquema de quadrilha envolvida. Mas irá repassar o caso para ser apurado pela Delegacia de Defraudação e Falsificação (DEF), onde o estelionatário já estava sendo investigado.
O caso chegou até a 5ª DP depois da denúncia do comércio onde o criminoso aplicava o golpe. Ele havia apresentado uma documentação para o cadastro em um compra de mais de R$ 1,4 mil. No dia seguinte, retornou à loja para trocar dois pares de tênis. Mas apresentou uma identificação diferente da que havia utilizado no ato da compra. Os funcionários da loja perceberam e ligaram para os policiais. “Vale lembrar a importância de as pessoas denunciarem. Estamos com a Operação Natalina, com foco na movimentação de fim de ano”, salienta Rossetto.
REINCIDENTE
Josemar já havia sido condenado a mais de 17 anos de prisão por estelionato, extorsão mediante sequestro e falsificação de documento público. Cumpriu cerca de oito anos da pena em regime fechado e ano passado havia obtido progressão de pena para o regime semi-aberto. Trabalhava das 8h às 18h no Departamento Penitenciário do Ministério da Justiça e às 20hs retornava à penitenciária para dormir. “Acreditamos que durante as duas horas de almoço, quando possivelmente não estava sendo monitorado aproveitava para praticar estes crimes”, salientou o delegado.