Feiras de artesanato têm sido um dos programas mais comuns para quem resolve ficar em Brasília, nos feriados e fins de semana. Ainda que a crise tenha afetado o bolso dos brasileiros, são alternativas para girar a economia. Além disso, é por meio desse tipo de renda e da comercialização de produtos que muitos artesãos conseguem sobreviver e pagar as contas.
Nos últimos dias, a diversidade de opções encheu os olhos das pessoas que passaram na Feira Internacional de Artesanato (Fiart), no Venâncio Shopping, e na Brasil Original, no Park Shopping. De acordo com o organizador da Fiart, Francisco Pereira, a expectativa de público no decorrer do evento é de cinco mil pessoas. “No meio da semana, é mais movimentado, com cerca de 800. Aos fins de semana é de 500 pessoas”, ressalta.
Dá para observar a fusão cultural entre continentes na 6ª edição da Fiart em Brasília: 15 países são representados em 25 estandes. “Temos a oportunidade de conhecer o artesanato de outros países, além de movimentar a nossa economia”, acrescenta.
Importação
Há seis anos, o brasiliense Márcio Vasconcelos, 35 anos, trabalha como vendedor de peças indianas em todo o Brasil. Segundo ele, o custo de importação não é barato, mas vale a pena apostar nessa alternativa. “Os objetos chegam de navio, em contêiner. Os impostos são muito caros”, destaca.
Além da feira local, o vendedor analisa os lucros dos eventos que estão ocorrendo simultaneamente em Belo Horizonte, Cuiabá e São Paulo. “Todos estão ruins. Acho que é um problema econômico. O povo está com medo de gastar dinheiro”, comenta.
Latinos na Fiart
As equatorianas Blanca Estela, 19 anos, e Rosa Elena Castaneda, 39, têm enfrentado dificuldades para vender os utensílios no território brasileiro. “As pessoas estão sem dinheiro. A movimentação está fraca. Esperávamos que as pessoas fossem comprar mais”, diz Blanca.
Os preços das peças equatorianas variam entre R$ 50 e R$ 200. São calças, vestidos e outras roupas com bordados feitos à mão. “Trouxemos a capa de couro para mulheres, tradicional do Peru, que tem pedaços de couro unidos com crochê, e também a pashmina peruana, feita em tear de madeira”, destaca Rosa.
O comerciante peruano Diego Chuquispeuma, 26 anos, esperava que a movimentação fosse melhor no fim de semana. “Ao comparar com as edições passadas, acho que neste ano as vendas estão piores. Vejo que em Brasília estão mais reduzidas do que no Brasil todo. A economia está ruim”, afirma.
No estande de Diego, há diversidade de produtos com preços variáveis de bolsas, roupas, espelhos, flautas e carteiras. “Tem enfeites de R$ 5 e os mais caros são os quadros, que custam R$ 1 mil. Várias peças possuem a vantagem de serem feitas à mão e algumas tem até mesmo couro de lhama”, diz.
Alternativas exclusivas feitas à mão
Outra opção que tem atraído o público é a feira Brasil Original, no Park Shopping, com peças de 130 artesãos de Brasília e de outras cidades. Segundo a organização, a estimativa é que boa parte das 11 mil pessoas que frequentam o shopping diariamente passem por ali.
A professora aposentada Maria Ramalho, 60 anos, aproveitou o fim de semana para conferi-la com o marido. “Viemos aqui para ver e comprar alguma coisa. Os produtos artesanais são mais bem feitos que os industrializados. Eu sei que tudo isso dá muito trabalho porque também sou artesã”, comenta.
Para o marido, Mário Ramalho, consultor, 60 anos, o mercado artesanal é paralelo aos demais. “Estamos passando por um momento político-econômico instável. Dá para perceber que poucas pessoas estão comprando, ainda que o local esteja cheio. A maioria está olhando. Afinal, está todo mundo na expectativa para ver o que vai dar a economia”, destaca.