Aanálise de uma planta que poderá ser utilizada no tratamento de doenças, tais como o diabetes; o estudo da cooperação entre o Brasil e os países africanos de Língua Oficial Portuguesa; e a criação de um software para identificar um tipo de RNA, o qual promete avanços no desenvolvimento da cura genética. Pesquisas em áreas diferentes, mas que já estão dando visibilidade, inclusive internacionalmente, para três jovens cientistas da Universidade de Brasília (UnB). Eles são vencedores das premiações do XV Congresso de Iniciação Científica da UnB e do VI Congresso de Iniciação Científica do Distrito Federal.
Contribuição
Esse é o caso do recém-graduado em Ciência da Computação, Túlio Conrado Campos da Silva, de 23 anos,vencedor da categoria Ciências Exatas. Com o tema “Classificação de ncRNA utilizando MVS e Processamento Distribuído”, seu orientador foi o professor Pedro de Azevedo Berger. “Criamos um programa de computador baseado em inteligência artificial e processamento distribuído, que permite a identificação mecânica de uma classe especial de RNA. Isso poderá contribuir no desenvolvimento de vacinas e medicamentos que atuam na solução de doenças ou defeitos genéticos”, conta Tulio.
O jovem adianta que irá disponibilizar o software para que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Laboratório de Biologia Molecular da UnB façam suas pesquisas. Sua pesquisa rendeu um artigo científico, o qual já foi aceito para publicação na revista norte-americana BMC Genomics, o que deve acontecer ainda este ano. Além disso, ela foi apresentada em outubro no Congresso Internacional Xmetting 2009, voltado para especialistas da área de Informática e empresas do setor, em Angra dos Reis.
Como prêmio, Tulio ganhou uma viagem para participar de qualquer congresso científico do país. Entretanto, ele não decidiu para onde quer ir. “Não parei para pensar nisso, pois ando muito ocupado, preparando-me para o mestrado”.
Surpresa
Na categoria Artes e Humanidades e Ciências da Vida, a vencedora foi Gabriela Pereira dos Reis, de 22 anos, estudante do oitavo semestre de Relações Internacionais da UnB. Sob orientação do professor José Flávio Sombra Saraiva, desenvolveu o tema Cooperação Brasil-Palops (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa). “O objetivo foi estudar como os projetos de cooperação brasileiros para os países africanos de língua oficial portuguesa têm sido aplicados, quais são as vantagens e desvantagens para as partes envolvidas, as dificuldades para execução dos projetos e participação de setor público e privado na aproximação entre países africanos e o Brasil”, explica Gabriela.
A estudante diz ter ficado plenamente feliz e surpresa com a premiação. “Eu nem sabia que tinha ganho. Só fiquei sabendo quando me ligaram, informando-me sobre a cerimônia de premiação, a qual ocorreria no mesmo dia”.
Concentração nos trabalhos
A vencedora da Categoria Ciências da Vida é a estudante do sétimo semestre de Farmácia, Jacqueline Figueiredo, 21 anos. Seu trabalho é sobre um extrato retirado da folha conhecida como Pata de Vaca que já é utilizado para o tratamento de diabetes tipo 2. Esse composto serve para facilitar a absorção de glicose pela célula sanguínea. Ela analisou qual a melhor época do ano para conseguir o melhor grau de ativação desse receptor molecular, conhecido como sensibilizador de insulina. “Não posso falar. Se não irá comprometer a confecção de um artigo científico”, despistou a jovem cientista.
Jacqueline explica que sua pesquisa faz parte do trabalho de Doutorado de Cíntia Matos, com o tema “Identificação de agonistas para o Receptor Ativado por Proliferadores Peroxissomais-gama (PPARg) e Variação sazonal de compostos presentes no extrato aquoso de folhas de Bauhinia variegata”. Satisfeita com o resultado de seu trabalho, Jacqueline diz que o próximo trabalho dessa pesquisa é isolar dentro desse extrato a substância que estaria exercendo a atividade nesse receptor.
Motivação
Para o coordenador do Programa de Iniciação Científica da UnB, professor doutor Mário César Ferreira, esta premiação representa um reconhecimento institucional da qualidade científica das pesquisas que foram realizadas pelos alunos da UnB sob orientação de seus professores. “Isso mostra a importância da iniciação científica na formação e agrega valor ao currículo dos alunos. Além disso, torna o profissional mais qualificado, facilitando sua inserção no mercado de trabalho”, analisa.
Escolha de pesquisas
Os alunos se inscrevem no programa de iniciação científica juntamente com o professor orientador. Passam um ano fazendo a pesquisa (de julho a agosto do ano seguinte) e apresentam no formato de um pôster. Esse pôster é julgado por um comitê avaliador externo, formado por 40 professores das três grandes áreas do conhecimento, os quais são pesquisadores em produtividade no Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq).
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Foram apresentados 1.062 trabalhos, sendo que 125 foram homenageados em solenidade na última quarta-feira, na UnB. |