O tema da campanha de boas-vindas da Universidade de Brasília no início de 2009 foi levado a sério pelos estudantes. O slogan Ocupe a UnB. A universidade é sua ganhou adeptos, principalmente entre os alunos que estavam insatisfeitos com os centros acadêmicos. Universitários de três cursos permanecem em salas destinadas ao ensino.
A situação mais delicada era no Departamento de Serviço Social, onde os jovens ocuparam o local destinado à aprendizagem de alunos surdos. Os estudantes se comprometeram a liberar a sala para garantir as aulas do próximo final de semana. As turmas das quartas e sextas-feiras foram remanejadas para outros locais.
Os estudantes de Serviço Social disseram não saber que a sala era utilizada pelos deficientes auditivos. “Desde que nos informaram, estamos tentando resolver essas questões. Mas ocupamos a sala, porque é perto do nosso departamento e da circulação dos alunos do curso”, justifica a aluna do 9º semestre Marina Leite, 22 anos. Segundo ela, a prioridade é continuar na sala ocupada, pois o CA anterior cedido pelo departamento era muito pequeno.
Os demais estudantes se dividem sobre a ocupação. A caloura de Agronomia Betina Tavares, 21 anos, concorda com as ações do movimento. “Se eles não conseguiram por meios legais, tem que ocupar mesmo”, opina.
Os alunos da Sociologia Luiza Chaer e Rafael Fernandes são contra as ocupações. “Eles pegaram uma sala de deficientes, isso deveria ser revisto. Além disso, vários prédios estão sendo terminados e serão construídos. Não custava esperar para pegar uma sala dos CAs de um desses cursos transferidos para os novos prédios”, declara Luiza. “Imagine se todo mundo pegasse uma dessas novas salas do Reuni. Onde serão colocados os novos alunos? Eles não podem simplesmente invadir. E há várias salas vazias, porque eles não pegaram essas?”, indaga Rafael Fernandes.
Reinvindicações
Alunos de Desenho Industrial fizeram o que foi sugerido por Rafael: escolheram uma sala desocupada pelo Instituto de Química, no segundo andar do ICC, que se transferiu para o novo prédio. “Nós não tínhamos um CA e aproveitamos a oportunidade dos espaços que o curso de Química deixou. Avisamos a administração e até então ninguém entrou em contato”, diz o estudante Romane Aragão, 25 anos. O aluno Estefano Pietragalla explica que o grupo do Desenho Industrial teve a preocupação de pegar uma sala vazia. “Acho que a UnB tem estrutura para atender a demanda do Reuni. Se for necessário, negociamos. Mas é muito importante pra gente ter esse espaço físico”, reforça.
O CA da Ciência da Computação também ocupou uma sala que estava em reforma no ICC e desde então negocia com a Prefeitura do Campus. “Respeitamos a ocupação dos outros CAs, mas a do Serviço Social repercutiu negativamente. Eles deveriam ter agido de outra forma”, opina o estudante da CIC Lucas Braga, 2º semestre.