Quem passou pelos corredores do ICC Sul da Universidade de Brasília (UnB) na manhã de quarta-feira (7), deparou-se com 30 alunos da Medicina Veterinária fazendo uma prova fora da sala de aula. A avaliação seria aplicada na sala 186, mas o espaço está ocupado pelos calouros do curso de Ciências Ambientais, que reivindicam um espaço para o centro acadêmico. Há mais de duas semanas eles estão na sala e impedem a realização das aulas.
“É a terceira semana que somos deslocados. Já tive que dar aula em local imundo e com caixas de papelão. Estivemos também no subsolo, debaixo de uma escada e com um barulho de motor.”, explica a professora Ângela Patrícia Santana. Ela tentou dialogar com os ocupantes, mas perdeu a paciência. Segundo a professora, aplicar a prova fora da sala ocupada, entre o corredor e a escada é um protesto contra a ocupação.
Os estudantes do curso Ciências Ambientais afirmam que encontraram uma sala vazia e boa, a poucos metros da ocupada, para que a professora aplicasse a prova. “Arrumamos uma solução, mas ela não aceitou”, declarou o aluno Gustavo Marcolino, 18 anos. “Fizemos uma mobilização para conseguir um CA para o nosso curso. Temos que ter um local para nos relacionarmos, estudar e, consequentemente, para nosso lazer”, destacou.
Barulho
A coordenadora do curso de Medicina Veterinária, Simone Perecmanis, esteve no local para conversar com os calouros. Ela diz que entende a necessidade de um CA, mas ação dos alunos é errada. “Essa ocupação está interferindo as atividades de 30 alunos. Se eles tiverem uma nota ruim hoje, podem processar, porque eles têm esse direito. As avaliações devem ser aplicadas na sala de aula”, explicou. Os alunos da Veterinária ficaram cerca de duas horas expostos ao barulho constante do ICC Sul, enquanto respondiam as questões.
“Na semana que vem, não sei para que sala vou levar meus alunos. Não dá para ficar nesta situação”, afirmou a professora Ângela. Em defesa do grupo da ocupação, o estudante do curso de Ciências Ambientais Marco Henrique Borges, 20 anos, revelou que eles procuraram uma sala com turmas pequenas e que todos os outros nove cursos afetados, como Física e Matemática, compreenderam a situação. “Nosso único problema foi com essa professora”, explicou.
O presidente do CA da Medicina Veterinária, Tiago do Prado Paim apoia as ocupações, mas não da forma como fizeram os alunos de Ciências Ambientais. “Lutamos pelo nosso CA, ficamos três anos para conseguir um espaço de 18m² e, no ano passado, tentamos negociar uma nova sala. Ainda não conseguimos”, afirma.