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Brasília

Esplanada colorida pelo Orgulho

24ª Parada do Orgulho LGBT reuniu cerca de 80 mil pessoas, entre ativistas e apoiadores

Amanda Karolyne

10/07/2023 5h00

Aconteceu ontem a 24ªParada do Orgulho de Brasília, organizada pelo movimento Brasília Orgulho. A Parada LGBTQI+ fez parte da programação do Festival do Orgulho, com concentração no Congresso Nacional. Cinco trios desfilaram pela Esplanada dos Ministérios durante a tarde e noite de ontem. O evento homenageou um dos fundadores do primeiro coletivo de ativismo gay no DF, Alexandre Ribondi, dramaturgo, jornalista e ativista LGBTQIA+, que morreu em junho de 2023.

Foi a primeira vez que os indígenas LGBTs abriram a passeata. Ramona Jucá Potiguara, liderança jovem e produtora audiovisual, de 23 anos, foi representar os indígenas LGBTQ+ de Brasília no evento. Ela estava junto do movimento Vogue, um outro espaço de resistência, segundo a ativista. Enquanto as pessoas do movimento desfilavam dançando vogue na frente do trio, Ramona rimava.

“É um movimento muito importante. E para a gente enquanto indígena, é de extrema importância estar participando da pauta LGBT”, diz Ramona. Ela lembra que o primeiro LGBT assassinado de forma brutal no Brasil foi uma pessoa indigena. “Um tupinambá chamado Tipira foi explodido na boca de um canhão por soldados franceses colonizadores”, relata.

Neste ano, a Parada também recebeu, pela primeira vez, um bloco de LGBTs refugiados. Além disso, o evento foi o primeiro do tipo zero carbono da América Latina.

O coordenador do Festival Brasília Orgulho, Welton Trindade, destaca que a Parada brasiliense é a terceira mais antiga do Brasil. De acordo com ele, eram aguardadas, em média, 80 mil pessoas. E, de fato, a Esplanada dos Ministérios foi preenchida por pessoas que vestiam a bandeira com as cores do arco-íris como capas de heróis, cheias de orgulho.

Com a força feminina, um time de 44 amigas marcou presença na Parada. A publicitária Camila Gomes, de 42 anos, conta que elae as amigas sempre fazem questão de comparecer na Parada do Orgulho, e todo ano com um tema específico. Este ano não foi diferente: elas vieram com camisas detime de futebol com as cores do arco-íris para entrar no espírito da Copa do Mundo feminina. “A gente resolveu unir o útil ao agradável, e já vamos usar para torcer na Copa”, afirma.

Ao reconhecer a importância das mulheres, das pessoas pretas e indígenas na luta,o servidor Enilson Ferreira Bastos, de 60 anos, conta que frequenta a Parada desde o início. “A sociedade é do macho branco hétero e a gente tem que lutar contra isso”, declarou. Ele acredita que muita coisa mudou para melhor, mas ainda há muito para melhorar. Ele estava acompanhado de Nelson Cosmo de Brito, de 43 anos, e os dois pintaram a pele com as cores do orgulho. “É a nossa festa, e a nossa luta por nossos direitos”, considera.

O evento contou com a presença de vários nomes conhecidos na luta LGBTQI+, incluindo o deputado distrital Fábio Félix (PSol), que ressaltou o fato de este ser o primeiro ano da parada em Brasília com uma nova presidência. “Nossa luta e organização teve muita importância no ano passado”, argumentou. Ele adiciona que o tema da Parada esse ano é a luta pela empregabilidade da população trans. “Estamos falando de um segmento que precisa de um olhar especial, porque 90% das mulheres transvestis e transexuais estão na prostituição compulsória”.

Janaína Oliveira, presidente do Conselho Nacional LGBTQI+, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, presente no evento em Brasília, considera que a Parada do Orgulho não é só uma agenda festiva. “É uma afirmação da existência e resistência da população LGBTQI+ ”. Agora, ela acredita que essa população volta a pertencer à democracia, para discutir políticas públicas que contemplem toda a existência dessas pessoas.

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