Quando a confeitaria Macaron Nube decidiu ampliar os dias de funcionamento, surgiu uma questão sobre organização e atendimento. Como abrir aos fins de semana sem mudar a rotina de quem já trabalhava no estabelecimento? A solução encontrada pelos proprietários foi organizar os turnos e manter a escala 5×2, que foi adotada desde o início dos negócios, em 2018.
Na época, o primeiro ponto de venda funcionava em um centro clínico na Asa Sul, onde o movimento se concentrava de segunda a sexta-feira. Com o crescimento da empresa e a ida para outro endereço, a abertura aos sábados passou a fazer parte do sistema da loja. E ao invés de alterar a jornada das funcionárias, a administração distribuiu os dias de trabalho entre dois grupos.
Uma das sócias-proprietárias da loja que funciona na 216 sul, Joana Peixoto, de 35 anos, contou ao JBr que a decisão levou em consideração o acordo que já existia com a equipe. Parte das funcionárias trabalha de segunda a sexta-feira, enquanto outra cumpre expediente de terça a sábado. Dessa forma, a confeitaria conseguiria manter o atendimento no fim de semana sem retirar os dois dias seguidos de descanso.
“Quando a gente expandiu e percebeu a necessidade de abrir aos finais de semana, não queria mexer no que elas já estavam acostumadas. Era uma escala 5×2, um horário que funcionava para elas. Então, a gente só reorganizou. Elas foram contratadas numa escala, e eu não acho justo mudar isso com o carro andando. A gente se organiza para manter o funcionamento”.
Um descanso que cabe na rotina
A organização dos dias de folga também interfere na vida fora do trabalho. Para Joana, ter dois dias consecutivos de descanso permite que as funcionárias aproveitem melhor o tempo livre, seja para estar com a família, sair ou resolver compromissos pessoais.
A empresária cita o exemplo de Talitah Vancerli, de 35 anos, que trabalha de terça-feira a sábado e descansa aos domingos e às segundas-feiras. Além do fim de semana, ela tem um dia útil disponível para atividades que dependem do funcionamento de serviços e estabelecimentos.
“São cinco dias trabalhando e dois seguidos de folga. Assim, elas conseguem descansar, ter tempo para a família, para uma festa, ou para o que quiserem. No caso da Talitah, por exemplo, ela tem o domingo e a segunda-feira. Então, também consegue aproveitar um dia útil para resolver coisas da vida dela que, às vezes, só podem ser feitas durante a semana”, afirma Joana.
Reorganização sem aumento de custos
A mudança na distribuição dos turnos não mudou e nem representou para a empresa, um impacto financeiro para a confeitaria. Joana afirma que não foi necessário ampliar a equipe especificamente para manter a escala, já que a empresa conseguiu ajustar os horários de acordo com os dias de funcionamento.
Ela reconhece, porém, que a realidade pode ser diferente em estabelecimentos que abrem diariamente e durante longos períodos, em que a cobertura dos horários pode exigir novas contratações. Para a empresária, cada negócio precisa avaliar as próprias condições de funcionamento.
“Para nós não faz diferença. É muito tranquilo porque a gente conseguiu ajustar. Não precisamos contratar mais gente por causa da escala, só nos reorganizamos. Eu entendo que um lugar que abre todos os dias, de domingo a domingo, o dia inteiro, pode ter um impacto, porque provavelmente vai precisar contratar mais pessoas. Mas existem estabelecimentos que fecham um dia na semana e conseguem fazer essa reorganização”.
Para Joana, a organização da jornada dos funcionários também precisa considerar que o descanso faz parte da vida de quem trabalha e de quem administra uma empresa. “A possibilidade de se afastar do expediente e recuperar as energias não deve ser uma preocupação restrita à gestão”, completou.