Eric Zambon
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A polícia passou de agente de segurança a vítima de agressão no Itapoã. No último dia 8, três homens da PMDF foram “expulsos” a pedradas de um bairro da cidade, após apreenderem um menor suspeito de ter furtado um celular. Esse episódio, registrado em vídeo e divulgado nas redes sociais apenas nessa segunda, foi um caso isolado, conforme a própria corporação e especialistas. Pode ser, contudo, indicativo de que as autoridades ainda têm dificuldade de atuação em certas áreas do DF.
Em várias cidades, como em Ceilândia, no próprio Itapoã, no Núcleo Bandeirante e em São Sebastião, a população convive com boatos sobre lugares tão violentos que “nem a polícia tem coragem de entrar lá quando escurece”. Para a corporação, no entanto, essa hipótese não corresponde à realidade.
“Não existe nenhum lugar que a polícia não entre, que seja dominado pelo tráfico ou algo assim”, afirma, categórico, o porta-voz da PMDF, major Michello. Ele reconhece que o Itapoã, local onde os militares foram agredidos, é “uma região com muito roubo a pedestre, muita arma apreendida”, mas classifica a atitude dos populares como atípica. “Foi uma inversão de valores. Não sei se a população sabia o que estava acontecendo”, diz.
Para o especialista em segurança Nelson Gonçalves, o episódio foi “uma situação muito específica”. Ele acredita, contudo, existir uma “permissividade social” apoiada principalmente pela frouxidão do Judiciário. “Parece haver essa sensação de impunidade generalizada, que é um estímulo à desobediência”, explica.
Para Gonçalves, resistência à força policial não é incomum em outros contextos. “Temos visto rechaço à polícia em manifestações no Plano Piloto e em outras ações do Estado, especialmente da Agefis”, aponta. Em novembro último, por exemplo, o Núcleo Rural Zumbi dos Palmares, em São Sebastião, foi palco de uma dessas situações.
Moradores da área invadida queimaram ônibus e usaram pedras e pneus para tentar conter o avanço das máquinas da Agefis. A Polícia Militar foi acionada e houve confrontos entre os homens da corporação e habitantes do local. No mesmo mês, o entrevero entre militares e manifestantes contra a PEC do Teto de Gastos resultou em um policial esfaqueado e outro atingido por uma pedra.
No Rio de Janeiro, a tensão é maior. Dez militares foram mortos apenas em 2017, cinco em serviço. As estatísticas ainda contabilizam milhares de feridos em operações rotineiras. No DF, falta informação. A Secretaria de Segurança Pública diz não ter dados a respeito do tema e a própria PM alega não ser possível quantificar esse tipo de ocorrência.
“Malandragem está em evolução”
Para o vice-presidente da Associação dos Praças Policiais e bombeiros Militares do DF (Aspra), sargento Sansão, a corporação deve se atentar para “não virar um Rio de Janeiro”.
“A polícia precisa atuar com mais rigor, e a Justiça tem que criar leis que protejam o nosso trabalho. Esse tipo de afronta é recente e mostra que a malandragem dos bandidos de Brasília está evoluindo”, critica.
“O que eu vi naquele vídeo (caso da viatura apedrejada no Itapoã) eu nunca tinha visto em Brasília. Tem que haver o respeito da sociedade pela polícia”, clama o sargento, que defende o uso da força contra os responsáveis pelas agressões aos homens no Itapoã para que “a moda não pegue”.
A PMDF informou que tem reforçado o policiamento no local da resistência ao fazer batidas todos os dias na região. A atuação dos três militares, registrada em vídeo, também foi classificada como correta. Eles teriam aplicado o conceito de “uso progressivo da força” ao serem ameaçados.
“Se o policial usa a arma primeiro, é uso desproporcional. Só em último caso que se usa a força letal”, conclui o major Michello Bueno.
PM ferido na cabeça
Um policial militar de 34 anos ficou ferido após reagir a uma tentativa de assalto em um ônibus que saía da Rodoviária do Plano Piloto em direção a Planaltina. O caso aconteceu na noite dessa segunda-feira. De acordo com a Polícia Militar, três homens entraram no coletivo na altura do Jardim Roriz, em Planaltina. Um deles levava um facão. Ao perceber que o policial estava fardado, um dos criminosos foi na direção dele e começou a esfaqueá-lo na cabeça.
Nesse momento, o policial reagiu e disparou contra o assaltante, que fugiu do ônibus com os outros dois indivíduos na altura da Estância Mestre D’Armas V.
Aos policiais, uma testemunha relatou que estava em casa quando três homens chegaram pedindo ajuda. Um deles trazia um facão, e o outro, uma faca de pesca. O terceiro estava baleado. A testemunha disse que foi obrigada a pegar o carro e levar o ferido ao hospital. No entanto, assim que ligou o automóvel, os dois homens que estavam com os facões fugiram.
Bombeiros levaram o PM ferido ao Hospital de Planaltina. O criminoso baleado não resistiu e morreu logo após dar entrada no mesmo hospital. Os outros dois criminosos não foram localizados. Para a PM, a conduta do militar configurou legítima defesa.
