Embora o Distrito Federal tenha sido pouco afetado pelo apagão ocorrido recentemente no país – 18 estados ficaram no escuro –, o brasiliense se preocupa com a possibilidade de ser surpreendido com um blecaute. O GDF, no entanto, tem feito fortes investimentos para reforçar o abastecimento energético na capital do país.
Em três anos, a Companhia Energética de Brasília (CEB) aplicou aproximadamente R$ 300 milhões na ampliação e a modernização de redes que distribuem energia, e na construção de novas subestações.
Um circuito, conhecido como anel elétrico, já em construção possibilitará a troca da fonte de energia, em caso de defeito, dentro de um mesmo sistema. “Nos últimos dez anos não se investiu em distribuição de energia. Tínhamos pontos de estrangulamento. Agora, estamos recuperando o nosso sistema”, explica o diretor de Engenharia da CEB, Antônio de Pádua Gonçalves.
Contagem regressiva
O principal projeto da CEB dever sair do papel este mês. A inauguração da Subestação do Mangueiral é considerada estratégica pelos técnicos da companhia. Ela transmitirá ao sistema do DF energia gerada de uma nova fonte, a usina de Corumbá III, que também ligará as turbinas, provavelmente ainda neste mês.
O Mangueiral aliviará as cargas das subestações do Lago Sul e de São Sebastião e vai melhorar a eficiência da Subestação Brasília Norte, responsável por grande parte do abastecimento do Plano Piloto e da Esplanada dos Ministérios.
Além disso, com a construção do chamado anel elétrico, a nova subestação poderá atender outras cidades caso haja alguma interrupção da energia fornecida por Furnas, responsável, atualmente, por mais de 70% do abastecimento do DF.
Linhas subaquáticas ligarão o ponto próximo de São Sebastião às subestações centrais de Brasília. Ainda serão construídos 35 quilômetros de rede para fechar o anel. O projeto orçado em R$ 20 milhões está em processo de licenciamento ambiental. “O sistema ganhará mais confiabilidade e flexibilidade, reduzindo os riscos de interrupção”, garante Pádua. A usina de Corumbá III será a terceira fonte de energia elétrica do DF, junto com Furnas e Corumbá IV.
Sudoeste
De acordo com a CEB, a construção da subestação Sudoeste, as implementações da Embaixadas Sul e Vale do Amanhecer, e as ampliações da Sobradinho Transmissão, Brasília Norte, Gama, Santa Maria e Planaltina também ajudarão a estruturar o sistema. Com o crescimento demográfico de regiões como Águas Claras, e a regularização fundiária de condomínios como Por do Sol e Sol Nascente, em Ceilândia, a companhia expandiu redes de distribuição, aumentando o número de postes e o alcance das linhas.
Pádua ressalta que, para garantir a fonte dos recursos, a CEB precisou fazer ajustes financeiros. A companhia vendeu seu prédio, na 904 Sul, e renegociou dívidas com Furnas. Além disso, a direção buscou financiamentos com a Eletrobrás e o FCO. “Com uma estrutura financeira mais robusta podemos dar mais celeridade aos investimentos”, afirma o diretor de Engenharia da CEB.