Os incêndios florestais são comuns no período de seca no Distrito Federal. Mas, nos últimos anos, segundo órgãos que trabalham com a prevenção desses incêndios, as queimadas têm se tornado mais frequentes. Nas últimas semanas, de acordo com registros do Corpo de Bombeiros, o fogo atingiu principalmente a Estação Ecológica de Águas Emendadas, o Parque Nacional de Brasília, a Chapada Imperial, áreas em Sobradinho, Granja do Torto, Varjão e Lago Norte.
Além de fósforos e cigarros atirados ao chão e fogueiras mal apagadas, as queimadas de pasto e de lixo perto de áreas protegidas são as principais causas do grande número de incêndios que vem ocorrendo em Brasília. Segundo a chefa do Núcleo de Reabilitação Ambiental da Seapa, Alba Evangelista, para evitar a ocorrência de novos focos de incêndio, é fundamental que os agricultores abracem a causa da conservação da biodiversidade, buscando alternativas para a limpeza de suas áreas. “O fogo que tem causado os incêndios nas unidades de conservação”, explica Alba. “Como alternativa, os produtores poderiam utilizar seu lixo para a produção de adubo orgânico, por meio de compostagem”.
O lixo doméstico e entulhos despejados em terrenos baldios ou em áreas de preservação podem provocar incêndios, quando ficam expostos muito tempo ao sol, como é o caso de cacos de vidro, garrafas de bebidas e lâmpadas. O clima do Cerrado, com uma longa estação seca e altas temperaturas, favorece a proliferação destes incêndios. Além disso, nesta época, a vegetação rasteira perde água, tornando-se mais seca, combustível ideal para a propagação do fogo.
Problemas respiratórios
Imediatamente, quem sente os efeitos é a população. A fumaça agrava os problemas respiratórios causados pela seca e pelas baixas temperaturas, aumentando a quantidade de pacientes nos hospitais. Entre os mais prejudicados estão as crianças e os idosos. As queimadas também reforçam o aparecimento da hantavirose, doença aguda que pode levar ao óbito em poucos dias. Seu transmissor é o rato silvestre, que, devido à falta de alimento provocada pelo fogo, sai do Cerrado e migra para áreas construídas dos sítios, condomínios e cidades.
Alba Evangelista Ramos explica que o fogo também é prejudicial para o solo, pois diminui significativamente seus nutrientes. Os incêndios contribuem para a destruição da camada de ozônio e a produção de gases do efeito estufa, como o gás carbônico, um dos geradores das mudanças climáticas. “O fogo promove a perda de nutrientes para a atmosfera, como nitrogênio e enxofre”, diz Alba. “Com a superfície desnuda pelo fogo, aumentam os riscos de erosão pela ação do calor e, posteriormente, pela ação das águas das chuvas”.
É proibido queimar
A Lei Distrital 4.329/2009 proíbe queimadas de restos vegetais no Distrito Federal. Somente por meio de autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é que os produtores rurais podem utilizá-lo para a prática agrícola. Mas, apesar da lei, o maior número de focos de incêndios é causado pela ação criminosa do homem, que queima áreas sem autorização ou preparo adequado prévio.
Em qualquer escritório da Emater, os produtores rurais podem encontrar informações sobre como evitar as queimadas. As denúncias de queimadas no Distrito Ffederal devem ser feitas em contato com o Corpo de Bombeiros, pelo fone 193.
Para evitar queimadas:
– Os produtores rurais devem fazer em suas propriedades o aceiro das cercas e demarcação das áreas de limites com as rodovias, áreas rurais e urbanas
– Os produtores rurais devem buscar educação continuada para a preservação ambiental, procurando novos conhecimentos sobre infraestrutura e treinamento de pessoal de combate ao fogo
– É importante possuir uma brigada de incêndio treinada com equipamento de combate, como carro-pipa, abafadores e bombas costais para realizar o primeiro combate, até a chegada do Corpo de Bombeiros. Na ocorrência de um incêndio, essas ações diminuem a intensidade do fogo, que rapidamente se espalham por causa dos ventos fortes