Jéssica Antunes
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“Cuidado! Muro com risco de cair”. A frase, estampada em quatro faixas em volta do Centro Educacional 4 de Taguatinga, na QNG 40, alerta para um perigo real e concreto. Parte da estrutura, criada pelos próprios moradores na década de 1980, despencou há quase dois meses e foi condenada pela Defesa Civil. Os alunos, os professores e a comunidade temem pela segurança enquanto esperam a reconstrução pelo Governo de Brasília.
Diretor da unidade de ensino, Walter Lins conta que o muro cedeu em 16 de março, quando as aulas estavam prejudicadas pela greve de professores e uma chuva com fortes ventos atingiu a região. “A comunidade construiu com o objetivo de melhorar a segurança da escola, mas não foram usados os parâmetros adequados. Não havia sinais de que cairia, apesar de alguns buracos e ferros à mostra”, afirma.
As aulas de educação física foram prejudicadas e o tradicional torneio interclasse, suspenso. Duas quadras esportivas, localizadas na área externa e sem qualquer proteção após a queda do muro, é utilizada apenas por alunos fora do horário letivo e para lazer dos mais corajosos. Os carros dos professores entram pelo portão, mas qualquer um pode ter acesso. O único vigilante da escola passa o turno vespertino de plantão na parte mais atingida para evitar acesso de desconhecidos e criminosos. “Assaltos acontecem diariamente. A área não é segura”, revela o diretor.
Perigo maior
Aluno do 2º ano do Ensino Médio, Daniel Costa, 17 anos, acredita que o local tenha ficado mais perigoso após a queda do muro. “Enquanto não resolvem poderiam colocar pelo menos uma grade para evitar a entrada de qualquer pessoa. Há muitas tentativas de assalto nessa rua. Eu mesmo já fui vítima”, afirma. De acordo com Kelvia Laniane, da mesma série e idade do rapaz, a orientação escolar é não encostar ou sentar na beira do muro: “Como caiu do nada, pode acontecer de novo e machucar”.
O 3º Batalhão Escolar da Polícia Militar, que cobre a área, informou à reportagem do Jornal de Brasília que solicitou à direção da escola para cobrir a parte do muro com tapume.
Saiba mais
- De acordo com publicação deste ano no Diário Oficial do Distrito Federal, o GDF repassou R$ 29,8 milhões para 673 unidades escolares, por meio do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf).
- A quantia é referente ao primeiro semestre de 2017 e pode ser utilizada para pequenos reparos, custeio de projetos pedagógicos e aquisição de alimentos, quando necessário, sem licitação.
- O valor a ser recebido depende da quantidade de alunos, da estrutura e das atividades oferecidas. Cada escola pode receber de R$ 15 mil a R$ 500 mil.
- Em 2016, foi repassado para as escolas da rede pública do DF o valor de R$ 86,7 milhões.
Assaltos são parte da preocupação
Segundo informações da Polícia Militar do DF, o patrulhamento diário executado na região foi reforçado após o ocorrido e seguirá até que o muro seja reerguido. No ano passado, uma média de dez pessoas foi assaltada diariamente em Taguatinga. Ao todo, segundo estatísticas da Secretaria de Segurança Pública, 3.704 ocorrências de roubo a transeunte foram registradas. Outros 483 pedestres foram furtados em 2016.
Neste ano, as únicas estatísticas disponíveis são referentes a janeiro, quando 258 roubos e 28 furtos foram reportados aos órgãos de segurança.
Procurada pela reportagem do JBr., a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação não respondeu, até o fechamento desta edição, sobre o processo de licitação para construção do muro, prazos e valores da obra. A pasta também não informou se fazia algum acompanhamento da construção feita por moradores antes do acontecido.