Valtemir Rodrigues
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Pelo menos duas pessoas morreram a cada dia à espera de um leito em uma das 335 Unidades de Terapia Intensiva (UTI) da rede pública de saúde do Distrito Federal em 2010. Foram contabilizados 1.014 óbitos, o que representa 8% de todas as solicitações de vagas. Esse número é 30% maior do que o das pessoas que morreram nos leitos, que foi de 699 no total. Das 7.025 pessoas internadas nas UTIs em 2010, 1.103 só conseguiram a vaga depois de recorrerem à Justiça.
A funcionária pública Tânia Fátima Gonçalves, 57 anos, acaba de vivenciar essa situação. Há cinco dias ela perdeu o pai, Deotado Mendes Gonçalves, 91 anos, que morreu após aguardar quatro dias por um leito de UTI. “Ele caiu da escada e sofreu um traumatismo craniano. Nós o levamos ao Hospital de Base e lá, foi submetido a uma neurocirurgia, mas precisava de um leito que não tinha”, descreve. Ela recorreu à Defensoria Pública, mas ainda assim não conseguiu, mesmo o pai estando no topo da lista de prioridade da Central de Regulação da Secretaria de Saúde.
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