O brasiliense enfrenta dificuldades para reciclar lâmpadas fluorescentes, pilhas e baterias. A falta de campanhas de conscientização e de locais para a entrega destes itens força a população a tomar dois caminhos: estocar o material em casa ou simplesmente jogar no lixo comum. O problema é que estes itens liberam substâncias tóxicas prejudiciais para a saúde e o meio ambiente.
Neste final de semana, está em funcionamento o Ecoponto do Pátio Brasil para a captação de lâmpadas, pilhas e baterias. Segundo uma das promotora do Ecoponto, Verônica Maciel, até a tarde de ontem, centenas de pilhas, baterias e lâmpadas foram entregues. “Um homem trouxe uma caixa com 12 kg de pilhas”, disse. Todo o material entregue será encaminhado para reciclagem.
De acordo com Verônica, o Ecoponto ficará aberto hoje. ”Todo final de mês este Ecoponto é aberto aqui no shopping para a população”, disse a promotora. Para a quem esteve lá, iniciativas como essa deveriam ser diárias. É o caso da vendedora Patrícia Vieira da Silva, de 31 anos. ”Não tenho o hábito de reciclar (pilhas, baterias e lâmpadas) porque é complicado encontrar lugares para deixar o material”, comentou a vendedora.
Mas, mesmo diante da falta de locais apropriados, parte da população tenta fazer a reciclagem. O militar Sidney Ferreira, de 41 anos, sempre busca entregar os itens para o devido tratamento em algumas lojas especializadas. É um hábito novo que o militar pretende incluir no seu cotidiano.
Se, por um lado, as lâmpadas fluorescentes garantem uma economia de energia de 80%, por outro as unidades desgastadas pelo tempo oferecem o risco de contaminação por mercúrio, cádmio e chumbo. Uma vez que estas lâmpadas sejam quebradas, estas substâncias podem causar insônia, falhas de memória, fraqueza, lesões no sistema nervoso, tosse, náusea, confusão mental e perda de memória. No caso, das lâmpadas fluorescentes uma dica é mantê-las embaladas em papel, para evitar que se quebrem.
De pai para filho
Ao passar pelo Ecoponto, o aeropotuário Emerson Moron, de 38 anos, não pensou duas vezes antes de pegar revistas educativas para seus filhos. Em viagem a Brasília, o morador de Porto Alegre (RS) não tinha material para entregar para reciclagem, mas aproveitou a iniciativa para ampliar a consciência ambiental de seus rebentos.
“Fazemos coleta seletiva no condomínio onde vivo. Sempre me preocupo em embalar as lâmpadas fluorescentes antes de entregar para a coleta, que passa todas as segundas-feiras”, contou.
Mas, para o turista, a dificuldade para a reciclagem de lâmpadas, pilhas e bateria é um problema que se repete em diferentes pontos do País, pois é raro ver pontos de reciclagem, seja do poder público, seja da iniciativa privada. Se o próprio condomínio não fizesse a coleta, Emerson diz não saber se conseguiria fazer reciclagem.
Emerson conta que a consciência ambiental começou a se fazer presente na sua vida há dez anos, mas com relação aos filhos o cuidado com o meio ambiente já vem de berço. “A pequenininha, minha filha Giulia (de seis anos), me chama a atenção se jogo alguma coisa na rua. E, se ela vê alguém fazendo isso, já chama de porco. Ela está tão consciente que nem mesmo arranca uma flor”, comemorou Emerson.