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Brasília

Dúvidas

Arquivo Geral

01/09/2016 13h28

A ressaca do futebol brasileiro. É longa. É dolorida. Nem mesmo a recém-conquistada medalha de ouro olímpica conseguiu curá-la. Talvez um chá de boldo muito amargo, um bom banho gelado, reza braba, sei lá. Os tais 7 a 1 da semifinal da Copa do Mundo ainda doem. Parecem aquela ferida que, quando pensamos que irá cicatrizar, volta a se abrir. Acredito que a minha geração, assim como a de 1950, jamais se livrará deste drama. Cada vez que a camisa amarela entrar em campo, mesmo que venha a conquistar todos os títulos daqui para frente, lembrarei (lembraremos) daquele 8 de julho no Mineirão.

Em sexto lugar nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018 (e, portanto, até agora fora do Mundial), o Brasil entra em campo hoje cercado por dúvidas de todos nós. Vou tentar elencar algumas delas, pedindo aos leitores que compartilhem comigo suas certezas e opiniões. Serão todas bem-vindas.

Que Brasil entrará em campo, hoje? Será que veremos um time no “estilo Dunga”, mais preocupado em sobreviver do que em “ser Brasil”? Será que Tite, mesmo sem tempo para treinamento, conseguirá impor, de pronto, o seu 4-1-4-1 que fez sucesso no Corinthians (e, sem dúvida alguma, com jogadores de mais qualidade, agora)? Será que o novo treinador vai lançar-se ao ataque, buscando a vitória, para, logo de cara, entrar no G-4 das eliminatórias, aliviando a pressão que a seleção vem sofrendo?

Será que teremos, hoje, um Neymar mais solidário, menos preocupado em ser a única estrela da companhia – mas decisivo, decidindo, como fez na final da Olimpíada contra a Alemanha? A parceria com Gabigol, aparentemente efetivado como o novo camisa 9 do Brasil, será suficiente e conveniente para que o nosso 10, vindo mais de trás, não apenas crie jogadas como apareça, eventualmente, para concluí-las com seu toque de craque, que ninguém nega que ele é? Suportará Neymar a marcação certamente implacável que os equatorianos exercerão (como fez a Colômbia na Copa do Mundo e nas Olimpíadas) sem irritar-se e perder o bom rendimento do seu futebol, fundamental para o time?

A tática de chegar três dias antes a Quito, mesclando os pensamentos e orientações até então em moda (chegar no dia ou uma semana antes, para evitar os efeitos da altitude), surtirá efeito, fazendo que nossos jogadores consigam render o que deles se espera em termos físicos? Nossos goleiros estarão prontos para as curvas e desvios da bola no ar rarefeito da capital equatoriana? E o Equador (as dúvidas não são apenas nossas, não)? Se contentará em não perder para o Brasil e, com um empate, segurar seu lugarzinho entre os quatro que se classificam ou, empurrado pela galera, irá lançar-se para ganhar de qualquer jeito, não respeitando a camisa com cinco estrelas no peito?

Como se percebe, são muitas interrogações. Para piorar, a partida será realizada no fim da tarde, quase impossibilitando que a maioria dos torcedores a veja pela televisão. Mas, pensando bem, talvez esta seja uma vantagem: se as calçadas onde lojas exibindo a partida estiverem cheias será um sinal. Um sinal de que a ressaca está começando a ser curada. O fígado continuará atacado, dando sinais de vez em quando, mas que a estreia de Tite no comando do Brasil sirva para dar um novo rumo ao nosso futebol. Nós merecemos. O futebol brasileiro necessita disso.

Janela, janelinha…

Sabe o leitor quais são os jogadores de seu time, hoje? Faço a pergunta por que fechou ontem a janela do futebol europeu. Muitos contratos podem ter sido fechados (ou não). Os desfalques podem acontecer de Norte a Sul, afetando praticamente todos os clubes. O Corinthians, que continua com sua operação desmonte, negociou Elias. O Atlético Mineiro esperava propostas por Lucas Pratto e Fred (sim, contratou outro dia junto ao Fluminense e já pode desfazer-se). O São Paulo, que já perdera Ganso, estava prestes a perder Rodrigo Caio. O Grêmio vê Luan cada vez mais valorizado – e interessando aos europeus. O Santos não deve perder apenas Gabigol, já acertado com a Internazionale de Milão. Até o líder Palmeiras corre riscos, com investidas sobre Roger Guedes e Vitor Hugo.

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