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Documentos oficiais de Paulo de Tarso Santos, ex-prefeito de Brasília, será doado ao Arquivo Público

Por Arquivo Geral 24/02/2015 5h24

Uma solenidade a ser realizada nesta quarta-feira (25), no Salão Nobre, do Palácio do Buriti, a partir das 9h30, com a presença do governador Rodrigo Rollemberg, marcará as comemorações dos 30 anos do Arquivo Público do Distrito Federal com a doação do acervo privado do ex-prefeito de Brasília, Paulo de Tarso Santos. O evento contará com a presença dos filhos do ex-prefeito, Vasco e Paulo da Cunha Santos.

Mineiro de Araxá, Paulo de Tarso Santos, hoje com 89 anos, governou Brasília como prefeito durante o governo de Jânio Quadros entre fevereiro e agosto de 1961. E, apesar de pouco tempo na cadeira, várias iniciativas importantes foram tomadas em sua gestão tais como a criação da empresa de Transportes Coletivos de Brasília (TCB), a urbanização do Núcleo Bandeirante, a implantação da estrutura administrativa da prefeitura e a urbanização da Asa Norte, além de contratação de professores de todos os estados para atuar em Brasília.

Parte da documentação que conta esta história será doada pela família do ex-prefeito ao Arquivo Público são originais de ofícios, decretos, nomeações, bilhetes escritos à mão por presidentes como Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, além de fotos públicas e pessoais que farão parte de uma exposição no espaço.

Documentação do período em que Paulo de Tarso Santos foi Ministro da Educação e Cultura no governo de João Goulart, em 1963, da época do exílio no Chile até 1971, além da fase como secretário da Educação em São Paulo, no governo Franco Montoro, nos anos 80, também fazem parte do acervo doado. Todo esse material estava guardado em caixas na Vila Madalena, São Paulo, aos cuidados dos filhos do ex-prefeito Vasco da Cunha Santos e de Paulo de Tarso Cunha Santos.

A iniciativa da família tem relevância indiscutível, porque os documentos em questão são fontes primárias que irão ajudar os pesquisadores a estudar com mais precisão esse período da história de Brasília, ao mesmo tempo em que colocará em evidência a trajetória de um político da nova capital que poucos conhecem.

“Para nossa família é motivo de orgulho e alegria ter a memória de nosso pai acolhida pelo Arquivo Público. Sem dúvida, Paulo contribuiu para o engrandecimento de Brasília e é um exemplo a ser seguido”, destaca Vasco da Cunha Santos, filho do ex-prefeito. “O que ele (Paulo de Tarso) fez foi começar a estruturar a administração de Brasília. Trouxe professores de fora e criou uma fundação cultural”, comenta a superintendente do Arquivo Público do Distrito Federal, Marta Célia Bezerra Vale.

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Che Guevara e Paulo Freire – Conhecido por seus princípios cristãos, Paulo de Tarso Santos foi protagonista e personagem de passagens importantes da nova capital. Formado em Direito pela USP, foi deputado federal por São Paulo durante o início da construção de Brasília pelo Partido Democrático Cristão (PDC).

Próximo de Jânio Quadros, Paulo de Tarso Santos foi um dos articuladores da campanha vitoriosa que o elegeu Presidente da República em outubro de 1960. Em gratidão, Jânio o nomeou prefeito de Brasília, cargo que ocupou de fevereiro a agosto de 1961.

Durante a visita do guerrilheiro Ernesto “Che” Guevara ao Brasil, em 1961, para ser condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul por Jânio, coube a Paulo de Tarso ciceronear o Primeiro-Ministro cubano pela cidade, hospedando-o em sua casa e o convidando para um passeio de helicóptero. “Quando nós aterrissamos, no aeroporto, não havia nos esperando, um único ministro de Estado, uma única figura oficial, sequer havia um único soldado”, recorda Paulo de Tarso Santos, no livro de memórias, 1964 e outros anos.

Quando ministro da Educação e Cultura de Jango, em 1963, de Tarso montou uma equipe de gabinete que contava com nomes como Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Herbet de Souza, o Betinho, e José Serra.

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