Manuela Rolim
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No dia em que teria sido morta e carbonizada, junto a uma amiga da mesma faixa etária, em Santa Maria, Letícia Ibiapino, 16 anos, mudou sua rotina. Acostumada a chegar cedo em casa, a adolescente demorou mais e isso chamou a atenção dos pais. Embora o crime tenha acontecido na última terça-feira, os corpos das duas meninas só foram encontrados na quinta. A polícia espera o resultado de um exame de DNA para comprovar a identidade dos cadáveres. A segunda vítima seria Nicolly Santanna e teria 15 anos.
De acordo com o pai de Letícia, o porteiro Luis Ibiapino da Silva, 45 anos, na terça-feira à tarde, a filha não voltou para casa depois do colégio, como fazia normalmente. “Ela só chegou às 19h, depois de passar a tarde inteira com a Nicolly. Tomou um banho e saiu de novo. Disse que só ia deixar uma bicicleta na casa de um menino”, conta. Letícia estudava no Centro Educacional 416 de Santa Maria e morava no Condomínio Porto Rico.
Desconfiado, Luis tentou impedi-la, mas foi convencido. “Falei que era melhor o dono vir buscar. Não queria que saísse de casa, mas ela disse que seria rápido. Até esqueceu o celular”, completa. A adolescente comentou que também passaria na casa de outra amiga. “Dessa vez, disse que tinha que buscar seu tênis. Saiu por volta das 20h30 e nunca mais voltou”, lamenta.
No local do crime, foi encontrado um tênis semelhante ao que Letícia foi pegar com a colega, relata o pai. “Ele era branco com lilás, igual ao da minha filha. É muita coincidência. Tudo bate com o que ela estava usando no dia”, acrescenta. Um chinelo também foi reconhecido pela família. “Quando ela chegou em casa, estava usando um chinelo masculino. Saiu de tênis de manhã, mas voltou da escola sem eles. Depois do banho, calçou o chinelo dela mesmo e saiu. Este também estava perto do corpo”, afirma. O cadáver tinha um piercing na língua, assim como Letícia.
Após 24 horas do desaparecimento, Luis registrou ocorrência. Os pais de Nicolly também não tinham notícias da filha. Na quinta, dois corpos foram localizados na Chácara 3 do Núcleo Rural Alagados. Agora, a família pede justiça e agilidade no processo de identificação. “O pior é essa agonia de esperar o DNA sair. Não temos nenhuma informação sobre autores. Só queremos que o culpado seja preso o mais rapidamente. Letícia não tinha inimigos, não desconfio de ninguém”, ressalta o porteiro.
“Estamosdesesperados”
Prestes a completar 46 anos, Luis lamenta a ausência da filha. “Não tenho o que comemorar amanhã. Será um dia muito triste e doído. Estamos todos desesperados. A mãe dela está arrasada, assim como a madrasta”, declara.
Letícia morava com o pai desde os três anos e tinha seis irmãos. Era uma menina carinhosa, tranquila e que adorava festas. “Apesar de sair muito, ela não sumia. Estava estudando e queria muito arrumar um estágio”, relata.
Os corpos foram encontrados dentro de uma vala, próximo a um córrego, por um chacareiro que andava a cavalo. O caso foi registrado na 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria). Segundo a Polícia Civil, ao lado das vítimas, havia uma pedra suja de sangue e um caderno escolar feminino parcialmente queimado.
Ontem, o padrasto de Letícia esteve no local do crime e viu uma blusa vermelha, parecida com a que a menina estava usando na terça-feira, informa o pai da vítima.
Segundo Luis, o caderno que a filha levava para a escola desapareceu. Ele conta que chegou a procurar na mochila da adolescente, mas estava vazia.
Foi solicitada a perícia do Instituto de Criminalística.