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Brasília

Dívidas em atraso caem no Distrito Federal

Arquivo Geral

13/06/2017 7h00

Atualizada 12/06/2017 22h28

Foto: Manoel Lira

João paulo mariano
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Mesmo com a crise batendo às portas, mais brasilienses conseguiram ficar com as contas em dia no mês passado. Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) apontam que o número de dívidas em atraso no DF caiu 7,85% na comparação entre maio deste ano e de 2016.

Brasília, no quesito pagamento de encargos, ficou abaixo tanto da média do Centro-Oeste (5,3%) quanto do Brasíl (4,84%). Já o número de inadimplentes, de maio de 2016 ao mesmo mês de 2017, também caiu: 4,7% – e de forma mais elevada que a média nacional que foi de 0,5%. Se a confrontação for entre o mês de abril e maio, os devedores cresceram em 1,05% – em especial, com as pessoas entre 85 e 94 anos (8,96%).

O funcionário público Sebastião Soares, de 62 anos, garante que é controlado e que não tem dívida sem estar quitada no prazo certo, apesar de estar em uma das faixas etárias em que houve aumento da inadimplência. “Hoje em dia, é muito difícil. Mesmo não querendo, se faz alguma dívida”, afirma. Ele tem orgulho de ter o “nome limpo” e garante tomar cuidado com o cartão de crédito. “Sempre que vejo que estou perto de estourar, o tiro do bolso. Não gosto de dever dinheiro, imagine cartão”, diz.

Em maio, o setor que apresentou a alta mais expressiva do número de dívidas foi o de água e luz, em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 28,68% de aumento. Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do DF (CDL-DF), José Carlos Magalhães Pinto, isso se deve aos aumentos ocorridos nesses setores. Ele explica que o aumento do endividamento dos idosos é porque muitos auxiliam filhos e netos que, devido à crise na economia, não consigam ficar independentes financeiramente.

FGTS salvou as contas

“Sem sombra de dúvidas, o dinheiro do FGTS ajudou a formar esse quadro. Ninguém gosta de ficar devendo. A pessoas, primeiro, compram o alimento e o remédio, depois quitam tudo que podem e resolvem as várias situações”, afirma o presidente da CDL-DF, José Carlos Magalhães Pinto, sobre os benefícios para a economia local da possibilidade de saque de recuros que estavm parados do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.

Para o presidente da instituição, os números mostram uma melhora na economia do DF, “que se deve comemorar”. Para a assistente de Recursos Humanos Lidiane Nogueira, de 28 anos, foi o FGTS que a fez ter condições de arcar com encargos que estavam sem pagamento. Mesmo lamentando estar com o nome sujo, ela garante que, até o fim do ano, resolverá essas pendências. “O mês fechou apertado, mas deu para pagar tudo”, afirma, na fila da lotérica para pagar algumas faturas. Lidiane lembra que as tentações são muitas e é difícil segurar os gastos com tantas promoções e facilidades de compra.

Ponto de vista

Para o economista Newton Marques, a crise melhorou, mas não passou totalmente. Assim, enquanto não houver uma recuperação total da economia, não se pode afrouxar, pois não haveria espaço para gastos excessivos, nem mesmo voltar a dívidas deixadas de lado com ao fim de uma maior contenção de gastos. Ele explica que as pessoas estão conseguindo equilibrar as finanças com a ajuda da queda da inflação – que melhora o poder de compra – e, para alguns, com o acesso ao dinheiro do FGTS.

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