Eric Zambon
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Em Dia de Finados, quem é vivo aparece. Por isso, a vigilante Rosa Gomes de Lima, 51 anos, já projeta dificuldades quando for visitar os túmulos de seus entes queridos, na próxima quarta-feira no Cemitério do Gama. “Eu já vim outras vezes e quase que não dá para entrar de tanta gente. O carro fica lá fora e, se bobear, ainda é roubado”, reclama.
Quem for a qualquer um dos seis cemitérios do DF precisará lidar com uma grande quantidade de visitantes. Ainda não há estimativa de público para o feriado, mas em 2015 foram quase 800 mil pessoas. Se esse número se repetir, são grandes as chances de tumulto nos 2,5 quilômetros quadrados de terra reservadas aos falecidos, espalhadas pela capital.
Saiba mais
- Os seis cemitérios de Brasília são administrados, desde 2002, pela concessionária Campo da Esperança Serviços Ltda.
- A empresa tem a responsabilidade até 2032 e, como parte do acordo com o Governo de Brasília, deve repassar 5% de seu faturamento mensal ao Buriti, além de ceder 10% de seus territórios para enterros sociais.
- O cemitério de Brasília, na Asa Sul, é o maior, seguido por Taguatinga, Gama, Sobradinho, Planaltina e Brazlândia, por ordem de metragem quadrada.
O maior dos espaços, em Brasília, com 1,2 quilômetro quadrado de área, tem média de 11 sepultamentos ao dia e deve ser o mais concorrido. Em segundo lugar está o de Taguatinga, com um terço da área, mas apenas um enterro diário a menos.
Melhores condições
Com uma média de quatro sepultamentos ao dia, o Cemitério do Gama é o terceiro maior. Há três anos Rosa pega a estrada esburacada que leva ao local e, nesse tempo, acumulou razões para criticar o espaço. Ela se ressente principalmente com a dificuldade de acesso ao túmulo de seu filho, enterrado há cerca de 20 dias no local.
“Eu tento trazer minha mãe aqui, mas não tem como. É longe e tem que passar pela grama. Precisa de um espaço para cadeirante ou permitir carro chegar até lá”, sugere. A vigilante ainda reivindica mais segurança no local, pois já teria avistado usuários de drogas nas imediações. “No dia do sepultamento do meu filho, nós vimos gente bêbada passando por nós”, protesta a senhora.
Acesso ao Gama é criticado
A dona de casa Angela de Souza Miranda, 45 anos, diz visitar parentes falecidos no Gama há cerca de dez anos e não tem motivos para reclamar. “De lá para cá, as capelas melhoraram muito. O acesso também, porque tem mais lugar asfaltado”, opina.
Tarimbada, ela afirma evitar os feriados por conta da aglomeração de visitantes. Ontem, ela prestava as homenagens adiantadas aos Finados. “Eu venho antes justamente para não ter problema. Acho que fica muito cheio porque as pessoas deixam para a última hora”, acredita.
Sua filha, Elisângela Barbosa, dona de casa de 26 anos, costuma acompanhar Angela e também diz gostar do serviço de manutenção do cemitério. Ela reclama, porém, do acesso de carros ao local. “A questão do estacionamento é complicada. Muitas vezes não tem vaga mesmo”, analisa.
Esquema especial
Conforme a Unidade de Assuntos Funerários, vinculada à Secretaria de Justiça e Cidadania, uma equipe da pasta atuará em esquema de plantão nos seis cemitérios durante o Dia de Finados. A ação será feita em parceria com as Ouvidorias do Governo de Brasília.
De acordo com a unidade, o objetivo será oferecer informações à população, bem como colher críticas e sugestões.
O governo, no entanto, ainda não anunciou se haverá operação especial visando ao feriado. Em anos anteriores, tanto o Departamento de Trânsito (Detran-DF) quanto a Polícia Militar colaboraram com os esquemas de trânsito e segurança dos cemitérios.