Amanda Karolyne
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Com aparência de promoção, a campanha do Dia da Liberdade de Impostos, realizada pela Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem (CDL Jovem) no Distrito Federal e em mais 12 Estados, entra hoje na 9ª edição para promover a conscientização das contribuintes sobre a alta carga tributária do Brasil, onde 30% do custo de uma refeição, é destinado a impostos. Para marcar a data, os consumidores podem abastecer o carro com a gasolina a R$ 2,14 o litro, e um cliente poderá adquirir um carro no valor de R$ 37.319, livre de impostos.
Dados da CDL Jovem, com base em pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), revelam que os brasileiros trabalharam 153 dias a cada ano para pagar impostos. “Nós queremos conscientizar a população sobre o excesso de impostos a pagar em comparação com os serviços disponíveis, que são ruins”, conta o coordenador da campanha DLI nacional e presidente da CDL Jovem DF, Raphael Paganini.
Ainda segundo o estudo da IBPT, 40.85% do valor cobrado em ingressos de eventos culturais são reservados ao pagamento de impostos. Desta forma, um ingresso que custa R$ 50, tem R$ 20 referente a tributos. “Além do excesso de tributação, são muitos impostos que acabam atrapalhando as empresas no Brasil”, destaca Paganini. “Isso prejudica também, o poder de compra dos consumidores”, completa.
Em relação à diferença de preços entre produtos vendidos no Brasil e no exterior, ele lembra que este encarecimento vem da tributação. “A empresa e o consumidor sofrem com os impostos cobrados, porque para importar, o produto vem para o país com um valor mais caro. Quem compra aqui, pensa: porque aqui é alto e lá fora é mais barato?”, acrescenta.
Segundo ele, e a CDL Jovem defende a simplificação tributária. “Abrangendo os impostos em dois ou três, seria ideal até para os consumidores saberem exatamente o que estão pagando”, cita. Quem concorda com a simplificação tributária é o contador Glediston Rios, 54 anos. Ele diz que a carga tributária é altíssima para o país. “A cobrança é no nível de países desenvolvidos, mas o investimento não é o mesmo”, destaca.
Peso grande na mesa e na produção
Produtos nacionais, incluindo os alimentos, também são fortemente onerados com a alta carga tributária. De acordo com Ronalde Lins, do Conselho Regional de Economia, ao beber uma caipirinha, o consumidor para 77% em impostos. Já do valor de uma caneta, 48% são de tributos.
Ronalde explica que se a carga fosse menor, o governo teria um país com mais produção, gerando mais emprego e o consumo poderia ter uma melhora. “O país não cresce sem consumo”, alerta. Para ele, a questão é um ciclo sem fim. “O investidor não entra no país porque não quer pagar uma carga tributária tão alta, logo o país está regredindo para uma antiprodução”, alega.
O economista cita a construção civil como um dos setores que estão parados por falta de investimento, o que resulta em desemprego de um dos setores que mais empregava. “Temos de pensar em maneiras para diminuir a tributação no Brasil. Como a gente paga tão alto em produtos que são produzidos aqui?”, questiona.