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Brasília

DF tem mais de 2,2 mil casos prováveis de dengue em 2023

As regiões de Sobradinho, Ceilândia e Planaltina são as que possuem um maior número de ocorrências

Redação Jornal de Brasília

30/01/2023 17h04

Foto: Sandro Araújo, da Agência Saúde-DF

Gabriel de Sousa
redacao@grupojbr.com

Por conta das chuvas de início de ano, é preciso que os brasilienses tomem muito cuidado com um inimigo já bem conhecido: o aedes aegypti. O último relatório da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), que contabilizou a situação epidemiológica da capital até esta segunda-feira (30), atestou que 2.254 casos prováveis já foram notificados em 2023.

O boletim felizmente mostra que dos 2.254 casos, nenhum acarretou em óbito, sendo que apenas uma pessoa teve complicações graves por conta da dengue, enquanto outras 37 tiveram sinais de alarme.

Comparado com as quatro primeiras semanas do ano passado, os números mostram um cenário epidemiológico menos nocivo. Entre 3 e 31 de janeiro de 2022, uma pessoa morreu por complicações da dengue, enquanto que quatro tiveram sintomas graves e 85 foram registradas como portadoras de sinais de alarme. No período, foram registrados 3.593 casos prováveis.

Ceilândia, Sobradinho e Planaltina com mais casos

De acordo com a SES/DF, Ceilândia, com 233 casos prováveis, é a região administrativa mais atingida, em números totais, pela dengue em 2023. Em seguida, Sobradinho (214) e Planaltina (185) também figuram entre as RA’s com mais infecções pelo aedes aegypti nestas três primeiras semanas de janeiro.

Um dado importante que é analisado pelos especialistas em vigilância epidemiológica é o número de casos por 100 mil habitantes, estatística que melhor avalia a abrangência da doença em uma concentração urbana. Seguindo este cálculo, Sobradinho é a RA com números mais acentuados, tendo 300,71 casos por 100 mil habitantes. Brazlândia (285,82) e Paranoá (153,97) são a segunda e a terceira com mais incidências, respectivamente. O índice do DF como um todo é de 73,84.

Para atuar no combate ao aumento da transmissão nessas regiões de maiores incidências, o Governo do Distrito Federal (GDF) está passando pelas ruas aplicando o fumacê. As equipes de vigilância recomendam que os moradores abram as suas janelas quando o carro que aplica o produto estiver próximo, a fim de neutralizar o mosquito que estiver dentro das residências.

Além disso, é preciso que os brasilienses estejam atentos com o cuidado aos que são mais vulneráveis à doença. Segundo a Secretaria de Saúde, as crianças pequenas e idosos maiores de 65 anos são considerados como integrantes do grupo de maior risco a ter complicações por conta da dengue.

“[As crianças] podem ser menos capazes que adultos de compensar o extravasamento capilar e estão, consequentemente, em maior risco de choque por dengue. […] [Os idosos] são mais vulneráveis às complicações por possuírem sistema imunológico menos eficiente, pela possível existência de doenças associadas e até pelo fato de se desidratarem com mais facilidade”, explica a pasta no seu último boletim epidemiológico.

Ainda é cedo para comemorar

Em uma entrevista com a equipe do JBr, o médico Dalcy Albuquerque Filho, especialista em medicina tropical, explicou que ainda é cedo para deduzir que houve uma redução dos casos de dengue em comparação ao ano passado. Um dos fatores citados pelo infectologista, que vai da ação preventiva da população a até motivos naturais, está a questão das fortes chuvas que, ironicamente, acabam complicando a proliferação do aedes aegypti.

“A gente está tendo chuvas muito fortes em diversos lugares do DF, embora sejam rotatórias. Essas chuvas, por incrível que pareça, começam a ter um lado até preventivo, porque como é um volume muito grande de água, elas acabam destruindo criadouros. Os criadouros transbordam e eliminam as larvas”, explica.

Dalcy, alerta que assim que as chuvas começarem a ter uma menor intensidade, e as temperaturas climáticas começarem a crescer, se formará um clima ideal para a reprodução do aedes aegypti. Porém, o especialista explica que a dengue é uma doença cíclica e, portanto, o ano seguinte à 2022, que teve números altíssimos de ocorrências, poderia significar a vinda de uma redução. “ A resposta efetiva se a gente teve mais ou menos casos que o ano passado a gente só pode dizer lá no final da temporada, que normalmente é abril ou maio”, disse.

Ações devem vir do governo e da população

Segundo o médico especializado em medicina tropical, alguns prováveis fatores podem explicar os números da dengue em Sobradinho neste início de ano, desde um melhor processo de notificação a até uma deficiência de coleta de lixo e fornecimento de água. Como recomendação, Albuquerque diz que deve ser feito um mapa da cidade para conhecer o surgimento das ocorrências de forma localizada.

Além do trabalho pontual da vigilância epidemiológica e ambiental, Dalcy destaca a importância da realização de campanhas de comunicação para a população e a capacitação de profissionais de saúde para o atendimento de pacientes de forma rápida e eficaz. Porém, a diminuição dos riscos da dengue também deve ser de responsabilidade da população brasiliense, que deve ficar atenta às maneiras corretas de se evitar a proliferação do mosquito.

“Quando a gente fala para a população, ‘tampe o reservatório de água’, ela vai e bota um caco de telha lá em cima, que tem aquelas ondulações, coloca ripas que tem uma fresta. Na realidade, aquilo não tampa nada, apenas sombreia a água e até melhora as condições para o mosquito”, destaca o médico especializado.

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