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DF amplia número de empresas e empregos e mantém liderança nacional em renda

DF amplia número de empresas e empregos e mantém liderança nacional em renda

Isabele Mendes

01/07/2026 18h22

Foto: Divulgação

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O Distrito Federal encerrou 2024 com uma economia maior, mais empresas em atividade e mais trabalhadores empregados. Dados do Cadastro Central de Empresas (Cempre), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o número de unidades locais chegou a 216,6 mil, crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior. O avanço foi acompanhado pelo aumento de 6% no total de pessoas ocupadas, que alcançou 1,8 milhão de trabalhadores, sendo 1,6 milhão de assalariados.

O crescimento também foi acompanhado pela expansão da renda. Ao longo de 2024, os salários e outras remunerações pagos no Distrito Federal somaram R$ 117,9 bilhões, evidenciando o fortalecimento da atividade econômica. Nesse cenário, a capital manteve a liderança nacional em remuneração média, alcançando R$ 5.805,20 mensais, maior salário entre todas as unidades da Federação.

Os dados mostram um movimento simultâneo de expansão da base econômica, do emprego e da renda, em uma economia caracterizada pela presença de serviços especializados, mão de obra altamente qualificada e atividades de maior valor agregado. Embora o setor empresarial represente 89% das unidades locais, a administração pública continua exercendo influência decisiva sobre a estrutura econômica brasiliense.

Consumo acompanha avanço da renda

O aumento da massa salarial já começa a refletir no comércio e nos serviços do Distrito Federal. Segundo o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, a melhora da renda das famílias, aliada à redução do desemprego, fortalece o consumo mesmo em um cenário de juros elevados.

“O aumento da massa salarial, aliado à redução do desemprego e à estabilização do poder de compra das famílias, tem refletido diretamente na sustentação do consumo no Distrito Federal. Esse fortalecimento da renda contribui para uma melhor avaliação da situação financeira atual por parte das famílias brasilienses, que, mesmo diante de um cenário de inflação e juros ainda elevados, demonstram maior confiança e disposição para consumir, movimentando os setores de comércio e serviços locais.”

Entre os segmentos que mais cresceram recentemente, José Aparecido destaca equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, que registraram alta de 43%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, com crescimento de 31,3%; e artigos farmacêuticos e médicos, que avançaram 13,2%. No varejo ampliado, o segmento de veículos e motocicletas cresceu 12,1%. Já no setor de serviços, as atividades turísticas e os serviços prestados às famílias aparecem entre os principais responsáveis pela expansão da economia local.

Administração pública segue determinante

Apesar da expansão da atividade empresarial, a estrutura econômica do Distrito Federal continua fortemente sustentada pela administração pública.

Os dados do Cempre mostram que o setor representa apenas 0,7% das unidades locais, mas concentra 35,2% das pessoas ocupadas, 41,2% dos trabalhadores assalariados e 56,4% de toda a massa de remuneração paga no Distrito Federal.

Na prática, o peso dos órgãos públicos ajuda a explicar por que Brasília permanece na liderança nacional da renda média. Mais do que concentrar instituições federais, a administração pública continua funcionando como principal eixo estruturante da economia local, influenciando diretamente o perfil do mercado de trabalho.

Ao mesmo tempo, o Distrito Federal possui uma ampla base formada por micro e pequenas empresas. Elas representam 93,1% dos estabelecimentos existentes na capital, embora tenham participação mais limitada na geração de empregos e, principalmente, na distribuição da renda.

Essa configuração resulta em uma economia com forte pulverização empresarial, mas concentração da renda em segmentos ligados ao setor público e às grandes organizações. A área de administração pública, defesa e seguridade social lidera a participação tanto no emprego quanto na massa salarial, enquanto comércio e serviços especializados predominam em número de unidades.

Qualificação ajuda a explicar salários elevados

Para a economista da Valor Investimentos, Paloma Lopes, a liderança do Distrito Federal no ranking nacional de salários é consequência da própria estrutura econômica da capital.

“A economia do Distrito Federal é extremamente peculiar, não só por conta do funcionalismo público, mas também pelo fator de empregos extremamente qualificados. Isso faz com que o salário médio seja maior. O funcionalismo público é o principal responsável, mas o setor de serviços que atende a esse funcionalismo também tem puxado os resultados para cima.”

Segundo a economista, o crescimento dos serviços especializados também contribui para elevar a remuneração média.

“O funcionalismo público continua sendo o principal, mas ele tem perdido espaço para os setores de serviços. Quando a gente fala de saúde, é um setor que teve uma grande ampliação nos últimos tempos, não só serviços médicos, mas farmácias e clínicas de uma forma geral. Eles acabam exigindo um serviço mais qualificado e automaticamente isso gera maior salário. Outro que tem elevado é a parte cultural, cinema e teatro, que têm registrado aumento de demanda.”

Ela ressalta que a economia do Distrito Federal não difere estruturalmente da de outras regiões do país, mas apresenta um perfil mais especializado. “O que muda é a tipificação na prestação dos serviços em relação à maior qualificação. A gente vê esse mesmo perfil em estados do Sul e em São Paulo.”

Paloma também afirma que o principal desafio continua sendo ampliar a qualificação profissional e o acesso ao mercado de trabalho. “Enquanto você não ofertar a mesma condição de empregabilidade para os trabalhadores, essa desigualdade vai continuar acontecendo.”

Setores especializados concentram maiores remunerações

O levantamento do IBGE mostra que os maiores salários do Distrito Federal estão concentrados em atividades altamente qualificadas. O setor de atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados lidera o ranking, com remuneração média mensal de R$ 13.277,35. Logo atrás aparece o segmento de eletricidade e gás, cuja média salarial é de R$ 13.263,21.

Os valores são muito superiores ao salário médio registrado na capital e reforçam a concentração de renda em segmentos especializados da economia privada.

Maior salário nem sempre significa maior poder de compra

Embora o Distrito Federal apresente mais oportunidades de emprego e registre a maior remuneração média do Brasil, o custo de vida continua sendo um desafio para muitos trabalhadores.

O analista Gustavo Pereira, de 25 anos, recebe cerca de R$ 6 mil por mês. Durante dois anos morou no Guará II dividindo apartamento com outros dois amigos. Hoje voltou a morar no Entorno, onde encontrou um custo de vida menor graças à possibilidade de trabalhar parte da semana remotamente.

“Acredito que hoje a minha renda não é suficiente para manter um custo de vida no DF. Por mais que não seja uma renda tão baixa em comparação com outras realidades, para conciliar moradia, alimentação, transporte e lazer, algumas dessas categorias seriam deixadas de lado.”

Ele afirma perceber melhora nas oportunidades profissionais. “Acompanhando o mercado de trabalho, observo uma melhoria nas oportunidades de crescimento. O nível de competitividade entre as organizações para retenção e atração de talentos tem crescido, assim como a competitividade entre os profissionais, cada vez mais buscando especializações.”

Ambiente de negócios ainda enfrenta desafios

Apesar dos indicadores positivos, José Aparecido Freire avalia que manter o ritmo de crescimento dependerá de melhorias no ambiente de negócios.

Segundo ele, reduzir a burocracia, ampliar o acesso ao crédito, investir na qualificação profissional e fortalecer a segurança jurídica são medidas fundamentais para fortalecer a economia local. O presidente da Fecomércio-DF acrescenta que os juros elevados, as pressões inflacionárias e as restrições ao crédito ainda representam desafios importantes, especialmente em relação ao endividamento e à inadimplência das famílias, exigindo cautela, gestão eficiente e criatividade por parte dos empresários.

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