Desde a vistoria dos carros a fiscalização na porta das escolas e nas vias do DF, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) está atento na atuação contra o transporte escolar irregular. Neste período de volta às aulas do início do ano de 2026, o órgão está focado na orientação das famílias por meio de uma campanha de orientação visando garantir a segurança dos estudantes. A iniciativa é promovida pela Diretoria de Credenciamento de Entidades e Profissionais (Dicrep), que lançou o guia ‘Volta às Aulas: Como Escolher um Transporte Escolar Seguro’.
Segundo Ticiana Sanford, diretora da Dicrep, o objetivo central é atender à demanda dos pais em relação a esse serviço. “A proposta é ampliar o conhecimento dos responsáveis para que eles contratem o transporte regular, que é o que chamamos de transporte seguro por conta das exigências que fazemos tanto para o veículo quanto para o condutor”, explicou. Para ser considerado regular, o transportador deve estar devidamente registrado junto ao Detran-DF.
Um dos destaques de Ticiana, quanto a segurança, é a autorização de tráfego, emitida a cada semestre após uma vistoria rigorosa. São fiscalizados obrigatoriamente, itens como cintos de segurança em pleno funcionamento, estado dos pneus, higienização e sistema de iluminação. Além disso, a identificação visual é padronizada: “Cobramos a faixa lateral com a espessura de 40 cm e a autorização de serviço visível. Ela é emitida para pessoas jurídicas, com mais de um carro por pessoa, ou pessoas físicas, onde verificamos itens de segurança obrigatórios e o estado geral do veículo”, descreveu.
Para os condutores, as exigências passam pelo indicador de idade: os motoristas precisam ter mais de 21 anos, habilitação nas categorias D ou E, além disso, é preciso realizar exames toxicológicos periodicamente. Ticiana frisou que uma das coisas mais importantes realizadas pelo Detran, é a checagem anual de antecedentes criminais e do histórico de multas. “Se o condutor teve duas multas gravíssimas nos últimos 12 meses, ele não poderá atuar no setor. O objetivo é avaliar rigorosamente a qualificação desse profissional”, pontuou.
Um dos principais focos do Detran é coibir o transporte irregular. Para isso, o órgão intensificou a fiscalização nas portas das escolas e vias públicas. Ticiana destacou que os veículos não autorizados estão sujeitos às mesmas penalidades do transporte clandestino de passageiros. “Nós fazemos a fiscalização tanto da parte de verificação dessas autorizações específicas dos condutores, como a fiscalização relacionada ao transporte regular de pessoas mesmo. Aquele vulgo que a gente considera transporte pirata.”
Para além disso, Ticiana pontuou que os agentes do órgão fiscalizador sempre atuam nas ruas de maneira geral, com a abordagem dos transportadores escolares, fazendo a verificação de documentos. “A equipe de fiscalização administrativa também tem ações diretamente na porta das escolas solicitando toda a documentação exigida.”
A diretora orienta que as famílias utilizem o Portal de Serviços do Detran para que a população possa consultar as empresas de transporte escolar regular: “Na aba ‘credenciados’, é possível consultar pela placa se o veículo está regular. Se a informação não aparecer, o serviço não está autorizado junto ao órgão”.
Ela reforçou a importância da colaboração da sociedade por meio de denúncias via Ouvidoria (Participa DF). Para que a fiscalização seja efetiva, é necessário fornecer dados como placa, local e horário da irregularidade. “As escolas são espalhadas e precisamos da ajuda da população. O transporte regular é mais seguro porque passa por verificações periódicas e o condutor está comprometido com as normas de segurança”, finaliza Ticiana.
A experiência de quem está no segmento

A fiscalização do Detran nas ruas e nas portas das escolas do DF beneficia não só os pais, que consomem o serviço, mas também ajudam a melhorar a atuação dos condutores como José Marcos Farias de Freitas, o “Tio Marcos”. Com 28 anos de estrada na Transfreitas, ele atua em Santa Maria e reforça que a segurança vai além do documento: “Procuramos parar com a porta sempre virada para o portão do colégio, nunca do lado oposto. Pegamos a criança na portaria e a monitora sai em fila para o transporte”, explicou. Ele contou ao JBr que a tecnologia virou aliada na hora de se comunicar com os pais via aplicativos. Mas ele não abre mão da escuta e da presença. “O pai deve procurar o transportador e conversar pessoalmente antes de fechar o contrato.”
A atuação e o cuidado com os estudantes e com as famílias é algo que está sendo passado de pai para filho. Thiago Suedi, filho de Tio Marcos, trabalha ao lado do pai e destacou para a reportagem, que o histórico de confiança é o maior patrimônio da empresa. “Temos alunos que carregamos no passado e que hoje confiam a nós os filhos deles. Apresentamos nosso serviço e mostramos o diferencial, buscando manter essa interação muito boa com os pais”, comentou. Ele salientou que embora as aulas comecem em fevereiro, o contato com as famílias é constante para garantir que todos os detalhes do trajeto porta a porta estejam alinhados.
Inclusive, janeiro não é hora do descanso desses motoristas. No galpão localizado em Santa Maria, eles estão em um momento de preparativos e manutenção das vans. Geraldo Soares de Souza, o “Tio GG”, divide o espaço de sua oficina e garagem com outros colegas, reforçando o cuidado com a manutenção preventiva, obrigatória a cada seis meses. Ele está no ramo de transporte escolar desde 2015. “Janeiro é o mês que mais gastamos. O carro não roda, mas é quando fazemos o motor e os reparos necessários. É um investimento alto para garantir que, no dia 2 de fevereiro, tudo esteja perfeito”, comenta Geraldo, que gerencia cinco veículos e foca hoje exclusivamente no transporte escolar e turismo local.
Apesar da dedicação, a categoria enfrenta desafios econômicos. Antônio Newton, o “Tio Júnior”, que ingressou no ramo em 2021, aponta que a concorrência e os custos de manutenção pesam no orçamento. “É um ramo bom, mas complicado. O período de férias é difícil porque muitos pais não querem pagar a mensalidade de janeiro, mas é justamente quando precisamos de recurso para a manutenção”, desabafou. Mesmo com as dificuldades, os motoristas de Santa Maria buscam manter uma “concorrência saudável”, com o sonho comum de, no futuro, fortalecer a união da categoria por meio de uma cooperativa.