Joyce Coelho
joyce.coelho@jornaldebrasilia.com.br
Com a presença de 20 presos, o Centro Educacional 01 de Brasília promoveu, na manhã desta sexta-feira (24), o XI Festival de Arte e Cultura do Sistema Prisional do Distrito Federal (FEST’ART). O evento foi realizado no Teatro dos Bancários na 514/515 Sul e teve como objetivo principal trabalhar a valorização e a criatividade artística no meio do sistema prisional. Esse ano o tema abordado foi “Você ainda tem Sonho?”.
Segundo o diretor do Centro Educacional 01 de Brasília, Wagdo da Silva, o projeto é antigo e tem a função de trazer arte, cultura e a ressocialização dos presos. Além dessa reintegração, o diretor afirma esse tipo de trabalho é muito importante. “É gratificante tanto para nós, professores, como para os familiares que vêm prestigiar. Através da expressão artística, eles podem mostrar o quanto são bons, e que são iguais a qualquer outra pessoa”, alega Wagdo.
Saiba mais
- O evento teve início em 2004 no Centro de Internamento e Reeducação (CIR/Papuda), que deu origem ao FEST’ART com o tema “Tô voltando”, para os trabalhos de pintura e artesanato; e “Copa do Mundo de futebol da Alemanha 2006”, para música e poesia.
- O FEST’ART foi institucionalizado pela Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso do DF (Funap/DF), em 2005, após a sua primeira realização em 2004. A responsabilidade da realização do festival sempre esteve com os professores que atuam no Sistema Prisional.
- Com a criação do Centro Educacional 01 de Brasília, escola da rede pública de ensino que atua nas prisões do DF, os professores assumiram por inteiro as responsabilidades para realizar o festival.
Há frente do projeto há 12 anos, o professor Jessé Gomes relata a importância do festival. “O trabalho é enorme, então temos que ficar atentos em cada cada ponto, afinal, estamos lidando com diferentes tipo de pessoas. Nosso foco principal é promover a reflexão para quem participa, e mostrar que ainda existem sonhos. Buscamos perpetuar a semente do bem no coração do preso”, conta Jessé.
O professor destaca, ainda, que o tema mexe muito com o emocional dos participantes. “Temos que mostrar que vale a pena lutar e sonhar pela liberdade. Esse tema abordado mostra que eles precisam ter metas, perspectivas e perceber que a vida aqui fora continua. O preso precisa ver que ele é um ser humano, e que ele precisa mudar e fazer de tudo para vivenciar essa vida aqui fora”, finaliza o professor.
“Sonhos nunca acabam”
Durante o evento, foram conhecidos os três primeiros colocados de cada categoria entre artesanato, dança, desenho, música, poesia e teatro. Ao todo, mais de 470 detentos se inscreveram no festival. Preso há quase cinco anos por assalto, T.S.V, de 40 anos, foi o vencedor na categoria de Poesia e afirma que o projeto tem feito diferença em sua vida. “Com esse trabalho, já posso notar diferenças, os resultados são impressionantes. Hoje, posso afirmar que sou um novo homem. Esse ano, o tema abrangeu a pergunta certa, pois nossos sonhos não acabam. Temos que lutar para continuar sonhando”, relata.
O vencedor da categoria de música, J.P.L, 27 anos, preso há dois anos por tráfico internacional de drogas, garante que o projeto é uma oportunidade que muitos gostariam de ter. “É a primeira vez que estou participando. Esse projeto ajuda bastante, ele nos mostra que ainda há uma oportunidade para continuar a lutar pelos nossos sonhos. Eu digo e repito: ainda tenho muitos sonhos! Então, independentemente da situação que estou vivendo no momento, nada disso vai me fazer desistir”, conta.
Vida nova
Dizem que uma mão amiga faz a diferença na vida de uma pessoa, e o projeto realmente fez a diferença para F.S.A., 38, que ficou preso por 10 anos por assalto à mão armada. O homem relata que fazer parte do festival por seis edições fez ele enxergar a vida de uma outra maneira. “Hoje vim como plateia. É emocionante. Revi cenas que vivenciei alguns anos atrás. Então tive a oportunidade de agradecer a cada um envolvido nesse trabalho maravilhoso, e dizer o quanto eles foram importantes na minha vida, principalmente na minha reconstrução pessoal”, elogia F.S.A, que hoje é funcionário do Ministério da Justiça.
- Foto: Breno Esaki
- Foto: Breno Esaki
- Foto: Breno Esaki
- Foto: Breno Esaki
- Foto: Breno Esaki
- Foto: Breno Esaki
- Foto: Breno Esaki
- Foto: Breno Esaki
- Foto: Breno Esaki
- Foto: Breno Esaki









