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Brasília

Desnível entre faixa de rolamento e acostamento desafia ciclistas no Lago Sul

Usuários de bicicletas reclamam do risco de quedas ao transitarem do acostamento para a faixa de rolamento na EPDB

Afonso Ventania

25/07/2024 5h00

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Foto: Afonso Ventania / Bikerréporter / Jornal de Brasília

Afonso Ventania
Bikerrepórter do Jornal de Brasília

O Distrito Federal tem atualmente a segunda maior malha cicloviária do país. Com 675 quilômetros de ciclofaixas e ciclovias espalhadas por 30 regiões administrativas, a capital federal perde apenas para São Paulo, que tem uma população quatro vezes maior e 722 quilômetros construídos.

Mas para quem pedala pelo Distrito Federal percebe que o problema não é a quantidade, mas a qualidade do modal que atende os ciclistas. A principal reclamação é a falta de continuidade em muitos trechos e a ligação inexistente entre o Plano Piloto e algumas regiões administrativas.

O estado de conservação e a sujeira também têm sido criticadas pelos ciclistas. A Estrada Parque Dom Bosco (DF-025), a avenida central do Lago Sul, por exemplo, tem sido alvo de muitas críticas de atletas de alto rendimento que treinam naquela região e também por pessoas que usam a bicicleta para o lazer e para trabalhar.

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Foto: Afonso Ventania / Bikerrepórter / Jornal de Brasília

Devido às inúmeras obras de recapeamento da faixa de rolamento nos últimos anos, o desnível entre a pista e o acostamento, transformado em “ciclofaixa”, tem se tornado uma barreira quase instransponível para quem pedala. Em alguns trechos a altura é tamanha que nem mesmo ciclistas habilidosos escapam de quedas ocasionais.

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Foto: Arquivo Pessoal

Para Rodrigo de Mello Brito, o Morcegão (foto), multi-campeão brasileiro de ciclismo e representante do Brasil em duas edições dos Jogos Panamericanos (2003 e 2007), pedalar no Lago Sul tem sido perigoso. “Para transpor o desnível entre o acostamento e a pista precisamos dar saltos cada vez mais altos. Para isso, precisamos estar em velocidade e de um certo espaço na via para pousarmos com segurança. É necessário pelo menos 1 metro da pista para nos reequilibrarmos. Nem sempre é possível por causa do grande movimento de carros que passam tirando fino e podem nos atropelar”, explica. “E não são todos os ciclistas que têm habilidade para saltar o que torna o desnível uma barreira para a mobilidade ativa naquela região”, acrescenta o atleta.

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Júnior da Costa é piscineiro e usa a bicicleta para trabalhar no Lago Sul. Foto: Afonso Ventania / Bikerrepórter / Jornal de Brasília

Morador do Gama, Júnior Régis da Costa é piscineiro e usa a bicicleta para trabalhar. Ele pedala por quase todo o Lago Sul de terça a sábado para atender seus clientes. Com a bike carregada de equipamentos, ele não tem a mesma possibilidade (e nem habilidade) do Morcegão para saltar obstáculos e precisa descer da bicicleta em vários trechos para subir ou descer os desníveis com segurança. “É muito ruim para gente que pedala. Tinha que nivelar porque desse jeito que tá pode derrubar a gente”, reclama.

Responsável pela fiscalização e pela conservação da DF-025, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) diz estar ciente do problema e justificou, por meio de nota, que o “desnível existente serve para diferenciar e sinalizar para os motoristas e para os ciclistas sobre o limite entre o acostamento ciclável e as faixas de rolamento. E que, no momento, está sendo executada uma obra de restauração das faixas de rolamento para melhorar a fluidez do trânsito no local. O que aumenta o desnível entre as faixas”.
O órgão conclui ao informar que “está em fase de projeto o recapeamento do acostamento ciclável para diminuir o desnível entre ele e as faixas de rolamento”.

Ampliação

O governo do Distrito Federal tem trabalhado para superar a capital paulista e, desta maneira, se tornar a Unidade da Federação com a maior malha cicloviária do país. Com as obras em execução do Corredor Eixo Oeste, a rede de ciclovias deverá ser ampliada em 40 quilômetros e mais quatro quilômetros no Núcleo Bandeirante. Só em 2023, foram construídos 31 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas.

Em entrevista recente à Agência Brasília o superintendente do DER-DF, Cristiano Cavalcante, explicou o plano de ampliação. “Já está em estudo a construção de mais 105 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. Sendo ciclovias construídas apartadas da via de rolagem e as ciclofaixas junto às vias. Todas com pintura diferenciada vermelha e sinalizada. As prioridades serão as regiões administrativas ainda não contempladas, e também vias de ligação entre as ciclovias. Em breve, teremos a maior malha para ciclistas do país. Todas as nossas obras preveem ciclovias e ciclofaixas”.

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