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Brasília

Desigualdade é maior no DF do que em cidades mais pobres, diz Codeplan

Arquivo Geral

02/08/2013 7h00

“Temos vários títulos que nos orgulham, mas um que nos envergonha”. Essas foram as palavras de Júlio   Miragaya, presidente da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), ao apresentar um estudo comparativo dos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) da capital e dos municípios da Região Metropolitana nas últimas três décadas. Mais uma vez, os dados indicam que, apesar de uma tendência de crescimento no indicador de desenvolvimento, a desigualdade social   aumenta  cada vez mais. 

 

O Distrito Federal lidera o ranking nacional com um índice de 0,824, um crescimento de 13,3% em 30 anos. A variável de renda é o que mais distancia a capital do resto do Brasil, que atingiu IDH de 0,739, mas garantiu um crescimento mais bem distribuído de 14,2%. O fosso é ainda maior  quando se compara o IDH dos municípios da Região Metropolitana, onde o DF lidera os três componentes do indicador municipal (IDHM): Educação, Longevidade e Renda. Em seguida está  Valparaíso  (GO) com números quase 10% menores. 

 

“Mesmo nos municípios com forte concentração fundiária e do predomínio do latifúndio, a concentração da renda é ainda menor do que essa brutal concentração de renda no DF”, diz Miragaya.  Ele destaca que a menor desigualdade  é observada em Águas Lindas (GO)  – cidade, porém, com a menor renda. “É a mesma história que temos na Estrutural, o menor índice de desigualdade, ou seja, a pobreza é para todos”, completa.

 

A mãe e filha, Jucinei e Jéssica Batista moram em Águas Lindas e vão todos os dias para o DF trabalhar em serviços gerais. Para elas, falta   infraestrutura na cidade. “A renda está até um pouco melhor, porque temos mais proposta de emprego agora. Mas falta qualificação para as pessoas mais velhas. E a saúde e o transporte são horríveis”, acredita Jucinei. 

 

Jéssica sempre estudou no Plano Piloto e  quando precisa de hospitais vai ao centro de Brasília. O namorado dela, Felipe Oliveira, mora em Valparaíso, a segunda melhor cidade para se morar nessa região, e  percebe a diferença. “Lá é um pouco mais arrumadinho.  Mas não acho que seja muito melhor que Águas Lindas não. Ainda tenho que fazer tudo pelo Plano Piloto”, avalia o militar. 

 

O número de pessoas que moram na   Região Metropolitana   e vão trabalhar no centro  está de acordo com o discurso da prefeita de Valparaíso, Lucimar Nascimento. Para ela, o que alavancou   o IDH da região, que agora não tem mais nenhuma cidade na faixa de desenvolvimento baixo, é o   aumento de renda no Distrito Federal. “Brasília é uma cidade administrativa, há muitos servidores que moram em Goiás. São eles que levam o dinheiro para as cidades”, defende.

 

Dessa forma,  há também uma desigualdade espacial, no sentido de que as cidades mais próximas de Brasília tendem a ter renda maior do que as mais distantes.

 

Índices sobem, mas ainda são modestos

 

O crescimento vem se mostrando constante em todas as cidades. No IDHM Educação, por exemplo, o último município da lista, Padre Bernardo, teve um aumento de 422,6%, o que ainda não foi o suficiente para tirá-lo da faixa baixa de desenvolvimento. No índice relacionado à longevidade houve aumento baixo, mas também constante. O município que teve o maior crescimento, de 30,7%, foi o penúltimo da lista, Cocalzinho de Goiás, a pouco mais de 100km de Brasília . 

 

Com relação à renda, o ritmo de avanço foi ainda mais modesto. Os destaques foram cidades com setor agropecuário quente, como Cristalina (GO), quarto melhor IDHM Renda da região. 

 

O problema é que a desigualdade social anda junto com a renda crescente. Ou seja, a cidade é mais rica, mas esse dinheiro está todo nas mãos de um pequeno grupo. A renda per capita média dos 20% mais pobres que era de R$ 105,70 em 1991 cresceu para R$ 190,50. Em compensação a renda per capita média dos 20% mais ricos subiu de R$ 3.020,74 para R$ 5.751,61. 

 

A renda per capita mais baixa de Brasília ainda é 18% mais alta que a de Valparaíso e chega à uma diferença de 35% de Águas Lindas. Os ricos do DF têm 63% mais dinheiro que os ricos de Valparaíso e 81% a mais que de Águas Lindas.

 

Ponto de vista

 

Segundo o economista Newton Marques, as únicas formas de diminuir essa desigualdade é a formulação de políticas públicas e fomentar a atividade industrial na capital. “A política pública vai ter que atuar em determinadas áreas onde você tem a renda menor do que a média geral”, diz. Ele observa, ainda, que é preciso achar uma forma de incentivar   atividades econômicas que gerem produtividade e renda fora do serviço público.

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