Nas salas e laboratórios da Universidade de Brasília (UnB), estudantes aprendem engenharia, medicina, política. E também técnicas para uma das funções mais nobres da sociedade: ensinar. Jovens que frequentam a Faculdade de Educação e o Instituto de Letras, por exemplo, são preparados para educar com cidadania, sem medo dos desafios da profissão.
“Ser professor é desenvolver uma tarefa social. É compartilhar todos os anos de estudo com os alunos que veem a universidade como o principal centro de difusão de conhecimento avançado”, opina a professora Enilde Faulstich, chefe do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas. Enilde, que leciona há 33 anos na UnB, começou recentemente um novo desafio: ensinar a disciplina Lexicografia e Terminologia em Libras para os primeiros alunos surdos do mestrado.
Os mestrandos – um biólogo e dois pedagogos – já dão aula de Libras no ensino médio e em faculdades particulares. Mas querem melhorar as técnicas de ensino da língua. Para a professora Enilde, preparar os primeiros mestres surdos é uma experiência enriquecedora. “As aulas vão muito além da licenciatura, aprendemos a conviver com a diversidade.”, explica.
Graduação
Nem só os professores universitários se surpreendem com as possibilidades da profissão. Na disciplina Fundamentos de Arte e Educação – do professor Lúcio Teles, da Faculdade de Educação da UnB – os universitários aspirantes a mestres aprendem a utilizar a arte na escola. “Passar uma visão mais ampla de cidadania, convivência e afetividade no processo de aprendizado também é muito importante. Conseguimos isso aqui, porque praticamos”, explica Lúcio.
Os alunos do professor Lúcio produziram bonecos com material reciclado como se fossem alunos da 4ª série. Assim é feito em todas as aulas dos Fundamentos de Arte, passando pela escultura, pintura e outros. “A ideia é que nós possamos dar uma aula didática envolvendo as crianças de forma criativa no futuro”, conta a estudante de Artes Plásticas Viviane Machado.
Na turma, a maioria dos alunos pretende lecionar. A estudante, Bianca Ribeiro, do curso de Pedagogia, quer dar aulas para crianças. “Ser professor deve ser muito prazeroso. Você acompanha o crescimento do outro. Não vejo o mundo sem eles. Eu quero ajudar as pessoas a crescerem e terem outras perspectivas”, afirma. Paulo França, também aluno da Pedagogia, quer trabalhar com meninos e meninas com necessidades especiais. “Pretendo educar e transformar a vida dessas pessoas”, diz.