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Desafio Intermodal: uma forma divertida de medir a eficiência dos meios de transporte

Os participantes devem cumprir o trajeto pré-definido pela organização, no horário de pico, respeitando as leis de trânsito

Por Afonso Ventania 21/09/2023 3h35
Foto: Myke Sena/Jornal de Brasília

Na próxima segunda-feira (25/09), a ONG Rodas da Paz, promoverá mais uma edição do Desafio Intermodal. A iniciativa é realizada anualmente como parte das atividades relacionadas ao Dia Mundial sem Carro, e se propõe a avaliar a eficiência dos diversos meios de transporte disponíveis no Distrito Federal. O objetivo é estimular a discussão sobre a importância da implementação de políticas públicas sobre mobilidade ativa na capital federal. 

Os participantes devem cumprir o trajeto pré-definido pela organização, no horário de pico, respeitando as leis de trânsito. Nos últimos anos, o ponto de saída é na Quadra 7 do Guará I e o destino final é o Museu Nacional, no Eixo Monumental. Para participar, basta a pessoa indicar qual o modal de transporte escolhido no ato da inscrição. Não há limite de participação. E, segundo os organizadores, o caminho a ser percorrido pode ser definido por cada participante, desde que saia e chegue nos locais estabelecidos. 

Mas, atenção! Não se trata de uma competição. O Desafio Intermodal é utilizado como parâmetro para mostrar, na prática, que existem outras opções além dos veículos motorizados para se deslocar na capital. Por isso, não basta chegar em primeiro lugar. A ordem de chegada é apenas um dos elementos da fórmula complexa para avaliar a eficiência de um modal de deslocamento.

“O Desafio Intermodal é um modelo de cálculo de eficiência dos meios de transporte nas cidades. Ele leva em consideração; o conforto ao longo do trajeto, a emissão de gases poluentes, o tempo gasto para chegar ao destino e o custo da viagem”, explica a coordenadora de Comunicação da ONG Rodas da Paz, Ana Júlia Pinheiro. 

Os modais mais comuns no Desafio são: bicicleta, ônibus, metrô, moto, carro, táxi, transporte por aplicativo e a pé. Há quem participe correndo ou até caminhando. Aparecem também pessoas de patins, skate, monociclo e diferentes tipos de bicicleta. Afinal, vale tudo para contribuir para uma cidade mais sustentável e menos dependente de veículos motorizados. 

Na edição de 2023, será a primeira vez que alguém de monociclo elétrico vai participar. O servidor público João Paulo de Andrade Júnior, 54 anos, já percorreu 12 mil quilômetros de monociclo, em pouco mais de 45 cidades no período de dois anos e meio.

Foto: Divulgação Rodas da Paz

“Tenho certeza de que será uma experiência muito prazerosa. A minha expectativa é conhecer pessoas que entendem sobre mobilidade ativa e conhecer o trajeto para sugerir possíveis mudanças. Afinal, as coisas só mudam quando a gente se mexe e se envolve para contribuir com sugestões”, diz. 

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Como funciona

Os participantes devem chegar no local de partida, às 7h. Depois de receberem orientações da organização, os participantes se preparam para a largada que está marcada para às 7h30. Cada um pode escolher a rota que preferir para chegar no Museu Nacional, o destino final.

Na chegada, a distância percorrida e o tempo de deslocamento do participante são registrados por voluntários. Esses dados são incluídos na fórmula que também leva em consideração preços de passagem e do combustível, entre outros. Os parâmetros recebem notas ou índices comparativos e, assim, é possível calcular a média de cada modal de transporte. Depois de contabilizados, as estatísticas são consolidadas em um ranking. 

Geralmente, a bicicleta ou a moto são mais velozes no horário de pico devido ao grande volume de veículos nas vias. Pelas características, os dois modais são mais ágeis no trânsito. A bicicleta pode trafegar nos acostamentos e a moto é autorizada a transitar pelo “corredor” enquanto os carros e demais veículos de quatro rodas estão paralisados nos congestionamentos do horário de maior circulação. 

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Entretanto, no ranking final, os modos a pé e bicicleta costumam ser considerados os vencedores, por somar notas maiores. Os motorizados individuais (moto e carro), são normalmente menos bem avaliados, justamente pelo alto custo e emissões de poluentes. 

De acordo com Ana Júlia, coordenadora de Comunicação da ONG Rodas da Paz, a meta principal do Desafio Intermodal é colher dados concretos para apresentá-los aos gestores públicos responsáveis pela mobilidade urbana. “Usamos esses dados materiais, para provar ao governo local, de forma científica, que opção pelo ‘rodoviarismo’, ou seja, concentrar todos os investimentos do setor no transporte individual motorizado é uma tragédia porque ele é caro, poluente e, sobretudo, segregacionista”, conclui. 

  • Serviço:
  • Desafio Intermodal
  • Quando: 25 de setembro
  • Local de saída: Quadra 7, Guará I (estacionamento Mc Donald’s)
  • Concentração: 7h
  • Hora de saída: 7h30
  • Destino: Museu Nacional

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