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Desabastecimento de medicamentos afetam drogarias da capital

Problema vem sendo enfrentado desde o início do ano devido ao aumento de casos de doenças respiratórias

Por Mayra Dias 04/07/2022 6h13
Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

Farmácias e Hospitais reforçam o alerta para a escassez de diversos produtos para o tratamento de doenças respiratórias na capital. Em meio à crise sanitária que o DF vem enfrentando desde março de 2020, o brasiliense começa a vivenciar o desabastecimento de medicamentos nos estabelecimentos, seja nas drogarias da rede pública ou privada. “Precisava de um remédio para o meu filho, que estava muito gripado. Tive que ir em três farmácias para conseguir o remédio. Essa mesma situação foi relatada por outras amigas minhas que também estavam com os filhos doentes por causa da mudança de clima”, comenta Nayara Monteiro, mãe do Lorenzo de 3 anos. 

Com a chegada da estação mais fria do ano, o aumento dos casos de gripe, bronquiolite e pneumonia é significativo. As baixas temperaturas e o clima seco favorecem, e muito, o surgimento das doenças respiratórias. Isso porque, nesta época do ano, o clima é propício à disseminação dos causadores de doenças respiratórias em crianças, além de ser fator desencadeante para quadros alérgicos. “É comum o aumento de números de casos de gripe, resfriados, rinite alérgica, bronquite e pneumonia. Portanto, o cuidado deve ser redobrado”, alerta o doutor Henrique Gomes, médico pediatra. 

Diante disso, as três farmácias de alto custo do governo do DF, por exemplo, relatam a falta de alguns remédios no estoque. É o caso, por exemplo, do estabelecimento da Asa Sul, onde 51 medicamentos estão em falta. Assim como em Ceilândia, que conta com 50 itens não disponíveis, e do Gama, onde 49 substâncias não constam no estoque. As informações são do último monitoramento feito no site da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Na rede pública, os medicamentos populares, produtos como a morfina (sulfato) cápsula para liberação controlada, de 30mg e mesalazina supositório 250mg também estão em escassez. 

Assim como Nayara, Tatiane Moreira também teve dificuldades ao comprar medicação para os dois filhos doentes. No final do último mês, a moradora de Planaltina DF não encontrou antibiótico para os filhos de 5 e 10 anos. “Eu precisava de 2 caixas e só consegui comprar uma. Rodei em outras quatro farmácias em Planaltina para conseguir comprar a outra caixa”, relata a empresária. De acordo com Tatiane, ao questionar o motivo da falta do remédio, os funcionários informaram que faltava insumo para a produção do medicamento.

Problema ultrapassa fronteiras nacionais  

De acordo com o diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Distrito Federal (Sincofarma-DF), Francisco Messias Vasconcelos, o problema existe. “São antibióticos, antitérmicos, xaropes e antigripais”, cita o titular. A indústria, conforme ele explica, alega não conseguir comprar insumos para a fabricação, então a produção fica reduzida. “Estamos sofrendo com isso desde dezembro. Tem a ver com a pandemia (da covid-19), mas a guerra (entre Rússia e Ucrânia) piorou a situação”, expõe. Devido a isso, a produção está lenta e os remédios vão chegando aos poucos nas farmácias.

Segundo Erivan Araújo, presidente do Sincofarma, trata-se de uma situação atípica, pois em anos anteriores isso não ocorreu. “É a primeira vez que vivemos isso. “Temos como um dos fatores o aumento de casos de problemas respiratórios, gripais, desde o início do ano, coisa que não é normal. Então, por essa razão, as farmácias não estavam preparadas para isso”, esclarece. “Outro fator muito relevante é o problema que estamos enfrentando na China, com relação ao embarque de produtos de matéria prima”, pontua. Como ele explica, 90% dos insumos que são utilizados pela indústria farmacêutica brasileira para produzir medicamentos vem da China, e os portos e aeroportos do país estão com filas para carregamentos devido aos bloqueios e lockdowns que estão ocorrendo.

Como salienta Erivan, não há muito o que ser feito para reverter essa situação. “As drogarias do DF já tentaram trazer de outros estados, mas a situação é a mesma em todo o país”, finaliza. 

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O que diz a SESDF

Ao ser questionada sobre a situação, a Secretaria de Saúde do DF informou que possui 17 medicamentos padronizados na Atenção Básica para tratamento de doenças respiratórias. “No momento, sete estão em falta. Desses, três têm tido fracassos em pregões eletrônicos e os outros quatro possuem pedidos de aquisição empenhados, mas com atraso na entrega por parte do fornecedor”, esclarece, em nota. 

Ainda segundo a pasta, os fornecedores têm protocolado junto à SES solicitações de prorrogação do prazo de entrega, informando que estão tendo dificuldade de obter os medicamentos junto às indústrias farmacêuticas. “Podemos citar quatro medicamentos usados no tratamento de doenças respiratórias que já estão com processo de aquisição finalizado, mas com entrega atrasada por parte dos fornecedores”, pontuou a SES. São eles: BECLOMETASONA (DIPROPIONATO) SPRAY NASAL 50 MCG/DOSE FRASCO 200 DOSES; IPRATROPIO (BROMETO) SOLUÇÃO PARA INALAÇÃO 0,25 MG/ML FRASCO 20 ML; SALBUTAMOL (SULFATO) SOLUÇÃO PARA INALAÇÃO 5 MG/ML FRASCO 10 ML;

SALBUTAMOL (SULFATO) SPRAY OU AEROSSOL PARA INALAÇÃO ORAL 100 MCG/DOSE FRASCO 200 DOSES COM INALADOR.

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