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Brasília

Deputados reúnem-se com o Banco Central e cobram salvação do BRB

Parlamentares federais e distritais articulam a instalação de CPMI e defendem blindagem do Banco de Brasília (BRB) contra impactos de má gestão e fraudes no sistema financeiro

Suzano Almeida

20/05/2026 12h14

Distritais federais e distritais se reúnem com presidente do Banco Central/ Foto: Divulgação

Distritais federais e distritais se reúnem com presidente do Banco Central/ Foto: Divulgação

Um grupo de deputados federais e distritais reuniu-se com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para cobrar medidas concretas de fiscalização e proteção institucional ao Banco de Brasília (BRB), envolvido em um escândalo com o Banco Master. O encontro, motivado pelas repercussões de uma severa crise de governança, corrupção e má gestão, marca o início de uma ofensiva parlamentar para blindar a instituição financeira pública do Distrito Federal, apontada pelos parlamentares como “vítima” de esquemas fraudulentos e do próprio sistema financeiro.

A audiência de emergência foi formalmente solicitada pelas deputadas federais Fernanda Melchionna (PSol) e Sâmia Bomfim (PSol). A iniciativa unificou uma bancada de parlamentares incluiu, ainda, os deputados distritais Fábio Felix, Max Maciel (ambos do PSol) e a federal Erika Kokay (PT), todos mobilizados em torno do impacto econômico e social que uma eventual desestabilização do BRB pode causar na capital federal.

“O nosso espírito é cobrar do governo do Distrito Federal medidas concretas para salvar o Banco de Brasília nessa crise e também diferenciar, que o Banco de Brasília é vítima, tanto dos corruptos, mas também vítima do sistema financeiro e agora a gente precisa de medidas concretas para a salvação do BRB”, afirmou Fábio Felix.

Blindagem

Durante o encontro com Galípolo, os parlamentares ressaltaram a importância estratégica da autarquia e o risco iminente de prejuízo aos correntistas e servidores públicos. O BRB é o principal operador de fundos habitacionais, programas de assistência social e folhas de pagamento do funcionalismo público da capital federal.

O deputado Max Maciel destacou que a preservação do banco é crucial por sua natureza popular e de fomento local. Segundo ele, o patrimônio do BRB pertence diretamente aos trabalhadores e à população do Distrito Federal, não podendo ser negligenciado diante dos erros de seus gestores. “O Banco BRB é um banco da população do DF, dos funcionários públicos, dos ativos sociais importantes como a habitação, os programas sociais. Então, a nossa busca é a nossa defesa é salvar o Banco, um Banco que é para a Brasília e de todos os brasileiros.”

Ao Jornal de Brasília, Max Maciel contou que Gabriel Galípolo foi receptivo à demanda dos parlamentares, mas não forneceu muitas informações, uma vez que há sigilo sobre o caso. O psolista afirmou ainda que o presidente do Banco Central deixou claro que o socorro deverá ocorrer no campo político. “O GDF precisa mandar para o governo federal mais do que ofícios pedindo reuniões. Ele precisa apresentar uma proposta urgente, o que parece que está sendo protelado”, completou.

A deputada Erika Kokay corroborou a tese de que a instituição precisa ser separada das condutas criminosas sob investigação. Para a parlamentar, o foco deve ser a manutenção dos postos de trabalho e a relevância econômica que a marca possui na região. “Nós temos uma nítida compreensão de que o BRB é vítima e que é preciso que nós busquemos todas as soluções necessárias para preservar o Banco, pelo impacto que ele tem nas nossas vidas aqui no Distrito Federal, pelos empregos que ele gera, por tudo isso que o BRB representa, porque o Banco é de Brasília.”

CPMI 

A estratégia do grupo de parlamentares não se limita à contenção de danos financeiros junto ao Banco Central. Em paralelo, há uma forte articulação política no Congresso Nacional para dar início a uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). O objetivo é investigar a fundo a rede de corrupção que, segundo os deputados, envolve influentes figuras políticas ligadas à extrema direita e ao senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).

“Eu e a deputada Sâmia Bomfim pedimos essa reunião porque, evidentemente, o povo não pode pagar a conta da crise, da corrupção e da má gestão. Infelizmente, nós vemos que os governadores, vinculados à extrema direita, além também de Flávio Bolsonaro, etc., estão diretamente envolvidos nessa rede que, bom, custou caro ao povo brasileiro”, declarou a propositora do encontro Fernanda Melchionna

De acordo com Melchionna, o requerimento para a abertura da comissão investigativa já superou os entraves burocráticos e conta com o apoio formal e as assinaturas de 171 deputados federais, além do quórum de senadores exigido pelo Regimento Interno do Congresso Nacional. A liderança do requerimento é dividida entre ela e a ex-senadora Heloísa Helena.

“O povo tem o direito de saber. Nós queremos investigação já, doa a quem doer, custe o que custar. CPMI, já!”, concluiu a deputada, sinalizando que a pressão sobre o Banco Central e o Palácio do Buriti deve se intensificar nos próximos dias, exigindo total transparência sobre os fluxos financeiros e as auditorias em curso.

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