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Brasil

Da natureza à boa mesa, Pirenópolis é para todos

Arquivo Geral

02/12/2016 7h23

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Primo Stotani
Especial para o Jornal de Brasília

Pirenópolis (GO), famoso destino de fim de semana de muitos brasilienses, tornou-se a menina dos olhos do turismo de Goiás. O conhecido charme da centenária não se resume ao amplo e preservado centro histórico com o casario colonial, onde residências de nativos e o comércio voltado para os moradores e turistas se misturam em harmonia. A 150 km do DF, as multicores das fachadas de seus sobrados, o céu de azul límpido, o verde das palmeiras e a hospitalidade dos pirenopolinos fazem do município um lugar ímpar.

Há programas para todos os gostos, dos passeios às mais de 90 cachoeiras. Da gastronomia variada às lojas de artesanato e programas culturais semanais. Sim, a despeito da simplicidade em cada detalhe e do seu jeito interiorano, Piri é para todos: palco de mais de 15 festivais nacionais e internacionais todos os anos, onde “tribos” de várias partes do mundo confraternizam.

De suas nascentes escoam águas que formam belas cachoeiras e lagos para banho; e também o rio das Almas, que corta a cidade, no qual turistas e moradores se deleitam diariamente. Com a sobrevivência do rio há uma preocupação dos moradores. Piri é um case nacional de sustentabilidade. Na cidade, que ganhou o seu aterro sanitário, está em construção um grande galpão para coleta seletiva. E a gestão municipal bloqueou esgotos clandestinos que eram despejados no leito do rio.

O conceito de fossa ecológica – na qual o esgoto é absorvido pela terra – nunca foi tão divulgado e implantado. O resultado é a surpresa de ver de crianças a idosos se banhando debaixo da chamada ‘meia ponte’, que liga as duas pontas do centro histórico.

De acordo com dados do Ministério do Turismo, apenas ano passado a cidade foi visitada por mais de seis mil estrangeiros – os brasileiros são dezenas de milhares. E estes são os que registram sua presença nas cerca de 80 pousadas; o número pode ser muito maior. Estas pousadas não deixam a desejar ao exigente público. Existem as mais simples, que oferecem quartos – são pequenas casas de moradores – até as mais luxuosas, dentro e fora do centro. São estabelecimentos preparados para receberem os turistas do circuito local e os oriundos de Abadiânia, a 50 km dali, muito visitada por quem procura o médium João de Deus.

Festividades populares

Entre os festivais, há duas festas mais tradicionais. A do Divino, em maio, é voltada para os nativos. São as homenagens aos seculares hábitos cristãos da cidade – o canto das Pastorinhas, o sapateado da Catira, a roda de viola e a representação da milenar batalha entre mouros e cristãos sobre cavalos, em que animais e cavaleiros são paramentados com cores exuberantes, num recinto próprio com arquibancadas na entrada do município.

Nesse ritmo aparecem os ‘mascarados’, os populares que juntam-se aos trotadores oficiais da festa nas ruas e se misturam aos carros. Outra festa é mais visitada por turistas de todos os estados: o ‘Canto da Primavera’, que leva cantores do circuito nacional e internacional para Piri.

A cidadela tem na alma de seu folclore as tradições cristãs: ergueu a primeira igreja católica do Centro–Oeste, a matriz Nossa Senhora do Rosário, no período em que os bandeirantes por ali passavam atrás de ouro. Foi reformada nos anos 2000 após um incêndio causado por curto-circuito. Sua escadaria serve de cenário para fotos de noivos apaixonados.
Outro ponto de visitação é a Igreja do Bonfim, que surge devagar aos olhos de quem sobe a rua do Bonfim rumo à rota de cachoeiras.

Muitas pessoas que passam por Piri pela primeira vez não notam uma das maiores preciosidades: no centro tombado pelo Iphan, não há fiação exposta. É subterrânea, e à mostra apenas postes que lembram as antigas lamparinas.

Cachoeiras e variedade gastronômica

O ponto alto da visitação é a combinação de cachoeiras e centro histórico. Há lazer para gostos variados. Concentra-se especialmente no ‘triângulo’ de ruas – a do Rosário (chamada Rua do Lazer), a Rui Barbosa – chamada de rua das lojinhas, e a Aurora, para quem desce da rota das cachoeiras.

Esta última está virando o novo point. De dois anos para cá, surgiram cafeterias – visita obrigatória à Pé di Café e ao singelo Florinda Comidinhas – e a cervejaria Santa Dica, recém-inaugurada. Além de uma dúzia de pequenos comércios, que vão de hamburgueria a sebo (dentro de uma Kombi).

Os mais badalados restaurantes estão na Rua do Lazer. Vão de comidas típicas do Cerrado (a maioria), crepes, churros, churrasco até cardápio mediterrâneo. Há pubs e pequenas galerias de arte. Impossível não se deliciar com o Bacalhau da Biba, misto de antiquário e restaurante. Ou provar o cardápio italiano do Maiale. Outros, como Empório do Cerrado, e a cachaçaria do Dil dão o ar goiano da rua. Há também a curiosa pizzaria Trottamundo, a ‘pizza quadrada de Piri’ – como as italianas tradicionais.

Há mais de 80 cachoeiras catalogadas. São fazendas que abrem as quedas d’águas e trilhas belíssimas ao público, e muito profissionais. Na maioria há guias, restaurantes, lanchonetes e regras rígidas. A principal em todas elas é para o turista levar seu lixo em sacolas.

Dicas

Fazendas e museus

No parque estadual reserva dos Pireneus, há a cidade das pedras, formações rochosas milenares, e do pico contempla-se o mais bonito pôr do sol da região. Vale uma visita à histórica Fazenda Babilônia, a 35 km da cidade, que serve um brunch de produtos da região, e almoço ou jantar na Venda do Bento, próximo ao aeroporto, misto de restaurante e museu.

Três outros museus são paradas obrigatórias: o do Divino, na antiga cadeia pública, que conta a história da Festa de maio; do outro lado da ponte, o Museu de Arte Sacra exibe objetos da tradição católica; e o Museu Rodas do Tempo, com o considerado mais rico acervo de bicicletas e motos da América do Sul.

Saiba mais

Destaque para as cachoeiras do Abade e Santa Maria (onde foram gravadas duas novelas da TV Globo), as cachoeiras Bonsucesso (são sete quedas e lagos incríveis), a Lázaro, Usina Velha e Meia Lua. Só para citar as mais visitadas.

Quem quiser um turismo de aventura, está a 10 km da cida- de o Santuário Vagafogo, com circuito de arvorismo, tirolesa e trilhas. É um dos maiores cases de turismo ecológico do País, criado em parceria com ONGs internacionais

 

 

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